Jornal do Ceará, 25 de julho de 1907
CORAM POPULO
Não fosse a grande responsabilidade que tenho perante a sociedade, não fosse o muito respeito que deve ao público, certo, não viria pela imprensa confundir o miserável a quem solenemente voto o maior desprezo, vilão torpe que se esconde por traz de um nome de indivíduo que não existe e que nessa cômoda posição procura ferir a minha honra e a de distintos amigos a quem laços da mais sincera estima.
Foi sempre dos falsários, das trânsfuga, dos traiçoeiros, ferir as escondidas, como as víboras que conhecendo quanto de letal há em sua peçonha e quanto de pequenez em seu tamanho, - evitam o encontro a descoberto – temendo serem esmagados ainda mesmo com o tacão de uma bota.
Para os que me conhecem, eu não teria necessidade de justificar a minha conduta perante a sociedade, quer d’esta, quer d’outras cidades do Estado ou de fora d’ele; mas, o desgraçado fez publicar pelas colunas de um jornal oficial que tem larga divulgação, a aleivosia, a mentira, o insulto vil, e me cabe a obrigação de pulverizar quanto de infame fez escrever, apresentando ao público documentos que sobremodo me honram e que em extremo me consolam neste momento em que me é dado cuspir na face desbriada de um falsificador de nome, infame e traiçoeiro, que não tem coragem de assinar quando manda escrever. Sou revisionista com a toda convicção de quem entende que a carta de 24 de fevereiro deve ser melhor regulamentada, e que a República precisa ser uma realidade, merecendo todo ardente patriotismo, toda sincera homenagem de amor e de devotamento.
E é melhor ser adversário leal assim a descoberta, assumindo toda responsabilidade de suas convicções, do que desleal e traiçoeiro amigo do Sr. Dr. Nogueira Accioly vendendo as horas tardas da noite, por processos indecorosos, a causa deste, quando alias o seu nome ia ser lançado as urnas na prova talvez mais enérgica em que o prestigio de velho político e de amestrado chefe corria parelhas com as forças da oposição na celebre eleição de Piragibe. É mais nobre ser adversário sincero do que político desleal – amigo trânsfuga – É mais digno ser adversário a peito descoberto, concorrendo muito embora com o pobre valor de um voto, do que apregoar e protestar de dia muita lealdade e muito voto, para de noite ir planejar o preço da traição e o modo de armar a oposição de títulos estadores para votar no instante solene do pleito.
É mais honroso ser adversário franco, conhecido e leal, do que amigo falso, amigo Judas, abusando de um cargo que lhe fora confiado, e já fora dele, para remontando-se as funções de então assinar títulos em larga cópia, inventando datas de qualificação estadual para entregá-los a oposição que com eles devia comparecer nas urnas na memorável jornada de 11 de abril em que se esperava o triunfo do General Piragibe. E as provas materiais do crime de lesa tração e politica existem...
E as provas materiais do crime de lesa dignidade política subsistem...
José Osterne
Limoeiro, 10 de julho de 1907.










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