Jornal do Ceará, 24 de julho de 1907

                         Limoeiro

Escreve-nos dessa cidade:

Ilustríssimos Senhores redatores do jornal do Ceará.

                                                                 Saudações

Quisera furtar-me a obrigação melindrosa e difícil de dirigir a V. Srªs. a presente carta. Talvez em nenhum Estado da Federação Brasileira, já fosse preciso à mulher deixar por um momento a santidade do lar, para chegar até as colunas de um jornal – e do alto da imprensa, na defesa de sua dignidade, lavrar o solene protesto de sua indignação, contra o ato brutal e vil – de ser a honra de seu nome machucada em nome da qualidade politica de seu marido, para isso se lhe atribuindo um fato que lhe faça atingir as faces com o rubor de pudico sentimento da mais santa dignidade maculada e ofendida.

Um miserável pelas colunas da República, com um nome de individuo que não existe, para ferir a honra de meu marido, ousou macular minha dignidade de esposa, não trepidando ante a infâmia de publicar um fato que absolutamente nunca se passou e me apontando aos olhos do publico como infeliz esposa... A imprensa jamais devia dar agasalho a imundices tamanhas, a vomito tão podre; e pedindo acolhimento nas colunas de vosso conceituado jornal para a resposta que venho a dar ao miserável, concito as Srªs. cearenses para em nome da dignidade da mulher, pedir aos homens dignos de uma recomendação social, mui especialmente aqueles que têm a honra de dirigir um jornal, o estimável e valioso serviço de devolver a seus dignos autores, qualquer publicação que uma senhora core ao ler.

Com súbita consideração, vossa patrícia e admiradora.


                 Leôncia Celestina Chaves

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

0 Response to "Jornal do Ceará, 24 de julho de 1907"

Postar um comentário