Limoeiro, 10 de julho de 1907

             De José Osterne Ferreira Maia:

Quando um homem transvia-se do caminho da honra e do dever, tudo lhe vai bem. Planta daninha que a sociedade devia extirpar de seu seio, o monstro vai solapando uma a uma as leis da dignidade humana, e não tardará muito a atufar-se no lodaçal do crime.

Esquece os ensinamentos da educação e da moral, oblitera os princípios da razão e do direito desentranha a concepção do justo e do honesto, revolta os sentimentos da piedade e da fraternidade, avassala a consciência e desnaturaliza o coração.

É Ravachol, Nero, Cesário Santi, Calígula, Jacques Estripador e tantos outros monstros que a humanidade produziu e no meio de tudo isso, se não mata pelo punhal, assassina pela pena ou ao menos com a pena alheia, porque como dizia G. Junqueira: “não se pode escrever com um punhal, mas, pode-se assassinar com uma pena”.

Do mesmo modo que se pode esconder nas tortuosidades das estradas ou nos despenhadeiros dos caminhos, pode-se esconder no anonimato irresponsável ou por trás de um nome que não tem identidade de pessoa. É Chrispim Alves de Paiva como podia ser – um amigo de verdade – ou coisa que o valha. É Alexandrino violando as assinaturas das correspondências telegráficas de um distintíssimo cavalheiro, abusando deste nome como se fora se fora ele próprio, inventando nome para figurar em polianteia ao chefe do partido, a que diz pertencer, no dia da posse daquele contra quem conspira. Era uma prevenção ou um resto de consciência a apontar o crime? Pavoneia-se de muita importância, quando não é mais do que um intrigante a urdir misérias, um caluniador confesso, não sentindo alias o pejo tingir-lhe as faces quando afirma perante pessoas muito respeitáveis que perseguiria até com calunias o Padre que nomeado vigário desta freguesia não viesse fazer politica com ele. O fato foi publico.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

0 Response to "Limoeiro, 10 de julho de 1907"

Postar um comentário