Limoeiro, 10 de julho de 1907
De José Osterne Ferreira Maia:
Coram Populo
(Conclusão)
E é um tipo destes que diz que eu detrato dos homens
de bem, isto é, daqueles que me são superiores sob todos os pontos de vista,
Miserabile dictu.
Que não sou advogado, não há duvida; mas, mesmo não
o sendo, tenho tratado de causas importantes que me tem sido generosamente
confiadas no foro desta e das comarcas de Quixadá, Quixeramobim e Aracaty, o
que magoa o Chrispim. Que sou boticário das dúzias, também não há dúvida; mas,
que mesmo assim, já salvei a vida de quem se esconde por trás do nome de
Chrispim e de sua família, quando um dia nas vascas da morte, no estertor da
agonia, já com a fronte banhada de suor viscoso dos últimos instantes, achou
que os pobres serviços criminosos agora bem valiam um pedido em nome da
caridade de não abandonar os moribundos de então, intoxicados por arsênico em
alta dose. Que também o boticário das dúzias o salvou quando terrível mielite o
prostrou num leito de morte; não há dúvida, mas, tudo isso já passou, bem que o
pagamento esteja sendo feito agora na almoeda indecorosa da injuria e da
mentira.
Corem os homens de bem, e preparem-se os amigos do
tal Chrispim para o dia da ingratidão... Os que conhecem quanto na de pobre, de
bela na Associação do Pão de Santo Antônio desta cidade, Associação de Caridade
que está conhecida, graças aos Ceús, desde o ubertoso vale do Cariri até as
gigantescas florestas da Amazônia, vil e brutal insulto. Desde a dignidade da
igreja até a honra da pobre órfã que ali vai receber um óbolo em nome da
caridade cristã; desde a dignidade da própria instituição até o ultimo de seus
diretores nesta cidade, tudo, tudo foi poluído e profanado...
Há o ódio do preceito, a ira do chacal, o furor da
hiena, a selvageria do abutre, a raiva do felino, no amontoado de injurias com
que o infeliz procura ferir a Associação do Pão de S. Antônio e a honra dos
seus 4 diretores; mas, ele caminhará impávida – confiante em seu passado,
cônscio de seus destinos – na inteira compreensão de seus deveres e sobretudo
blindada com a couraça da fé de que Seu Augusto Patrono confundira os réprobos,
em quanto seu humilde Presidente com superior confiança apresenta ao publico os
documentos que seguem. Dói deles são firmados por cavalheiros de muito critério
e muito respeito, alias meus adversários políticos, um dos quais terminou o seu
quadriênio de juiz substituto e outro por cavalheiro que por vezes, tem
desempenhado esse cargo, e sendo o ultimo pelo respeitável, virtuoso e
digníssimo Padre João Luiz de Santiago, uma das mais refulgentes glorias da
Igreja Cearense, nome que por si só dispensa todo elogio. E depois disso... que
se forme o critério do publico e da justiça.










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