jornal do Ceará, Fortaleza, 25 de julho de 1907

 

AO PÚBLICO

Tendo encontrado no jornal “A Republica” de 27 de junho, n º. 145, o palavrório imoral, indecente e indigno, contra José Osterne Ferreira Maia e os Diretores do Pão de Santo Antônio, desta cidade, assinado por Chrispim Alves de Paiva no Limoeiro.

         Existe nesse assinatura falsa de Chrispim Alves de Paiva, uma união de dois cidadãos, em uma só firma; Chrispim significa Luiz e Alves de Paiva, Martins Graça, os quais ficaram de nomes trocados, desde 15 de fevereiro deste ano, data em que fizeram greve a benção da Imagem de Santo Antônio desta cidade do Limoeiro.

         Luiz que tem telhado de vidro, não atira pedra no do vizinho.

Eu se tivesse a tua índole, explicava-lhe o que tinha havido, com a hospedagem do Júlio Medeiros, em tua casa; assim como o que farias quando amarravas o teu cavalo a noite nos paus brancos, da lagoa da Pitombeira, lá junto daquela casinha infame, traidor.

Tu falas em vileza e roubo, porque não tens consciência de teus atos; quando eras menor de idade já roubava a gaveta de teu pai, que se viu na obrigação de deportar-te para o Pernambuco, a fim de melhorar a tua conduta, a qual se tornou ainda mais perversa ainda.

Não lembra-te da conta corrente que forneceste ao Coronel José Nunes, com acréscimo 60$000 reis e querias ocultar 400$000 reis que havias recebido em gados, o que não fizestes porque aquele tinha o recibo, porém, os sessentas passaste nas engolideiras.

Já te esqueceste dos dezoito mil reis do outro (18$000), que conduziste para fazer pagamento na capital, da assinatura do jornal “A Republica”, nem pagamento e nem o dinheiro e outros muitos e muitos que é impossível mencionar de uma vez só?!

Miserável é aquele coletor que nomeado por meio de arranjos, está servindo de morfeia para o comercio, micróbio roedor da sociedade, víbora que vive para morder, a paz dos casais desta cidade, língua de lama, mau esposo, pai irritante e desnaturado, empregado ignominioso e fraudulento, mau conselheiro, calvinista de força, Caim perverso, e que de cristão tem apenas o batismo.

O ex-vigário desta freguesia manifestou que não concordava com aquela imoralidade, porém naquela cachola é que sai a propaganda ignominiosa e vil.

Quem assina papel falso sobe a fé de seu cargo e quem paga a assassinos para virem ofertar a seus paroquianos, no tempo em que os tinha, pode fazer tudo e só sujeitar-se as medidas, aos conselhos daquele péssimo e desnaturado amigo para tirar o proveito, que ora está tirando.

Descubra a calva e tenha mais consciência, lembrando-se que quem com ferro fere...

Hoje basta.

Limoeiro, 17 de julho de 1907.

Um associado de S. Antônio.

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