Jornal Gazeta do Norte, 1 de setembro de 1880

                                                     INEDITORIAIS

        2ª TESTEMUNHO – Alferes Cândido José Gonçalves Malveira, de 52 anos de idade, negociante, morador nesta vila, natural da freguesia das Russas, casado, e aos costumes, disse nada. Testemunha jurada aos Santos Evangelhos em um livro deles em que pôs sua mão direita, e prometeu dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado. – E sendo inquerido sobre os fatos constantes da petição de folhas duas lhe foi lida. Respondeu que a um mês mais ou menos quando por esta vila andou Francisco da Silva Braga, conhecido por Bajá, fora a casa dele interrogado, João de Hollanda Cavalcante e Mello, lhe dissera contando ter ouvido ao mesmo Silva Braga, que este conduzindo três cartas para a Capital e entregando uma delas a um Desembargador que era Fernandes Vieira, este ao ler a carta exclamara dizendo: Sr. Braga, o Sr. é culpado de tudo isso, porque devia ter quebrado um pau neste juiz malvado, acrescentando o mesmo João de Holanda, que se admirara da prudência do Capitão Machado, que chegara por ocasião do mesmo Silva Braga contar esse fato e o interpelara. – Disse mais que por essa ocasião conversando com o mesmo João de Hollanda sobre o mesmo epiteto e alusão injuriosa dita por Bajá, confirmara ser dirigida ao requerente por causa da sentença condenatória que deu contra o mesmo Silva Braga no processo que iniciou a Câmara Municipal. – Disse mais que o que acabava de depor, conversara com o tenente-coronel Custódio Ribeiro, acrescentando que ele constando ter-se espalhado em virtude de lhe ter dito João de Hollanda que o mesmo Silva Braga trouxera três cartas de recomendações para o Aracati e que recebera a mandado de uma pessoa dezoito litros de cereais e de outro doze e de outras sete diárias e que no dia seguinte ele interrogado, interpelando o mesmo Silva Braga, se estava ou não empregado, este afirmara que sim, e estava ganhando mil e tantos reis por dia. – Dado a palavra ao Promotor – disse que nada tinha a requerer – E por nada mais responder e nem lhe ser perguntado deu por findo este depoimento, que depois de lhe ser lido e o achar conforme, assinara com o juiz, parte e o promotor; de que tudo dou fé. Eu, Serafim Tolentino Freires Chaves. Escrivão o escrevi. – Silva Maia – Candido José Gonçalves Malveira, Manoel Coelho Cintra Junior, Agostinho Enéas da Costa.

      TESTEMUNHO – Antônio Varella da Costa Lima, 27 anos de idade, empregado público, morador nesta vila, natural da Freguesia de Maranguape, e aos costumes, disse ser parente do referido Francisco da Silva Braga em quarto grau, por ser este filho de um primo do pai dele testemunha e que além disso fora criado com a mulher do dito Braga, todos em uma casa, que com quanto ligue todo interesse a respeito do referido Braga, todavia, não o priva de dizer a verdade jurando. - testemunha jurada aos santos evangelhos em um livro deles e prometeu dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado. - E sendo inquerida sobre os fatos da petição de folhas duas que lhe foi lida – Respondeu que se achando Silva Braga, vulgarmente conhecido por Bajá, em casa de seu sogro a esta vila, a um e pouco mais ou menos, indo ele testemunha o visitou, ouvira o mesmo Silva Braga contar que indo para a Capital, conduzira duas ou três cartas, vindas de Pernambuco, ao entregar uma ao Desembargador Fernandes Vieira, em que ia uma exposição de sentença dada pelo requerente contra o Silva Braga, o mesmo Desembargador interrompendo a leitura da carta disse: Sr. Braga, o Sr. é o culpado, devia ser quebrado a pau por ser o juiz o homem mais ladrão do Ceará, o mais ruim e com quanto existir no Ceará será desgraça, pior que a seca e que estas injurias eram dirigidas ao requerente, tendo especificado por vezes o seu nome, isto é o nome do requerente, acrescentando mais o mesmo Silva Braga que teve medo do dito Desembargador pelo modo zangado com que falara do requerente. – Disse mais que se achava presente João de Hollanda, quando relatara semelhante fato, o mesmo Silva Braga, chegando depois o Capitão Machado que ainda ouviu quando o mesmo Braga pronunciava a palavra Cintra. – Disse mais ele interrogado que o mesmo Braga em virtude de cartas de recomendações vindas da Capital para Aracati, o mesmo Silva Braga recebera da Comissão de Socorros porções de litros de cereais. – Disse ainda que o que acabava de depor tinha se tornado notoriedade publica nesta vila. – Dada a palavra ao Promotor, por ele foi dito que nada tinha a requerer. – E por nada mais responder e nem lhe ser perguntado deu por findo este depoimento, que depois de lhe ser lido e o achar conforme, assinara com o juiz, parte e o promotor; de que tudo dou fé. Eu, Serafim Tolentino Freires Chaves. Escrivão o escrevi. – José Ferreira da Silva Maia – Antônio Varella da Costa Lima, Manoel Coelho Cintra Junior, Agostinho Enéas da Costa.

      TESTEMUNHO – João de Hollanda Cavalcante Mello de 30 anos de idade, empregado público e negociante, viúvo e morador nesta vila, natural desta Freguesia e aos costumes disse nada. - Testemunha jurada aos santos evangelhos em um livro deles e prometeu dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado. - E sendo inquerida sobre os fatos da petição de folhas duas que lhe foi lida. – Respondeu que indo visitara Francisco da Silva Braga, por ocasião de chegar este a casa de Manoel Varella de Oliveira sogro do mesmo Bajá, isto a um mês mais ou menos, o mesmo Silva Braga lhe contara, por ocasião de entregar uma carta ao Desembargador Fernandes Vieira, este interrompendo a leitura dissera: - Sr. Braga, o Sr. é culpado, "um homem desses merece muito pau”, e que isso dizia o mesmo Desembargador em referencia ao requerente, acrescentado mais que em quanto o mesmo requerente estivesse no Ceará haveria sempre secas, não se recordando ele testemunha que o mesmo Silva Braga chamara outros epítetos, ao requerente, estando porém, certo que o que acaba de depor o mesmo Braga, se referia, atribuía ao requerente, cujo nome especificou. – Disse mais que o que acabou de depor conversara com o alferes Cândido Malveira não se recordando, se tão bem conversara com o Tenente-coronel Custódio, sendo, porém certo que não divulgara a pessoa alguma. – Disse mais que não se recorda o numero de litros de cereais e muito menos de quem eram as cartas e para quem no Aracaty, eram dirigidas, mas que o mesmo Silva Braga lhe dissera que tinha uma diária que dava para suficientemente para passar, sendo que ele testemunha sabe que o mesmo Silva Braga lhe determinara o numero de litros que recebia, mas, não se recordava. Dada a palavra ao Promotor, nada requerer. – E por nada mais responder e nem lhe ser perguntado deu por findo este depoimento, que depois de lhe ser lido e o achar conforme, assinara com o juiz, parte e o promotor; de que tudo dou fé. Eu, Serafim Tolentino Freires Chaves. Escrivão o escrevi. – José Ferreira da Silva Maia – João de Hollanda Cavalcante Mello, Manoel Coelho Cintra Junior, Agostinho Enéas da Costa.

   

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