Jornal do Ceará, 24 de setembro de 1907
José Osterne Ferreira Maia, 24 de setembro de 1907
Contra nosso digno amigo José Osterne, habilíssimo advogado de Limoeiro, moço dos mais independentes e criteriosos dos que constituem o valoroso partido oposicionista cearense, apareceu pela “República” de sexta feira, uma verrina das que costuma escrever – Chrispim Alves de Paiva – pseudônimo que muito mal disfarça a figura de um padre suspenso das ordens, ex-vigário daquela localidade, Antônio Pereira da Graça Martins, presidente da câmara municipal e seu pensionista com 1:200$000 por ano, mestre escola de um colégio ideal com 3 alunos, que são filhos do coletor Luiz Brasiliense, 2 dos quais já figuraram numa firma comercial para giros que falharam.
Eles mais do que outros
quaisquer sabem a distância que os separa de José Osterne, porém, procuram
iludir a si mesmos invertendo os papéis.
“Honrados, criteriosos, de
caráter inquebrantável, dignos, honestos” que são o padre Graça e Brasiliense!
É irrisório!
As coisas andam meio as
avessas, e agora é que chegamos a compreender que o ato da demissão do lugar de
vigário de Limoeiro, e depois, a suspensão de todas as ordens inclusive as de
celebrar missas, infringida pela Autoridade Diocesana ao senhor padre Graça
Martins, forma um Galardão ao seu critério, honestidade, moralidade, pureza de
costumes, cumprimento dos deveres e atos outros edificantes de que deu ali
sobejos exemplos.
Brasiliense igualmente não
podia ser se não honrado.
Foi caixeiro no Recife de
uma importante casa comercial de onde fugiu indo aparecer na Bolívia.
Teve o cuidado de mudar o
nome durante toda a viagem para escapar da ação da polícia. Dizia chamar-se
Antônio Sotero. Ao chegar o navio nos portos como no desta capital metia-se
Brasiliense no porão por entre os fardos de capim e a cada movimento de botes,
embarques, desembarques, via o “honrado e criterioso” fujão a figura da polícia
aproximando-se do “sitio” em que estava ele a asfixiar-se. Abriu-se o chão e
mais nenhuma notícia do Brasiliense.
Depois de anos soube-se que
ele se achava na Bolívia, no barracão de um rico proprietário dali – D. Romão,
de onde saiu dali ainda fugido, vindo aportar no Aracaty onde aguardou o perdão
do seu velho pai, fazendo-se de filho pródigo que volta a casa paterna.
Não caberíamos de citar
fatos cada qual mais deprimente do caráter desse “honrado” Brasiliense.
E agora numa teimosia de
desocupado, na engorda ociosa com prejuízo dos pinguins rendimento do Sr. José
Nunes, está o Sr. padre Chrispim a
chamar José Osterne de imoral, velhaco, sem pudor, cínico; só não disse que era
um Brasiliense, no mais foi rico em apodos, numa adjetivação completa.
José Osterne é um nome
feito, tem reputação firmada e não são os irresponsáveis desviados, trânsfugas,
e mesmo qualquer cabeleira que o atingem com objurgatórias tais.
Resignem-se com suas nulidades.










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