Gazeta do Norte, 3 de setembro de 1881

 

Limoeiro

Pelo dedo se conhece o gigante. — Sob a capa de observador exibiu-se em uma das - ultimas garras do Cearense de 8 de passado, o celebre Custódio Ribeiro, criticando-me por haver, eu requerido a reintegração do cargo, de delegado.

Se a consciência do observador não estivesse de ha muito mergulhada no lodaçal imundo que lhe serve de leito; longe de criticar-me, procuraria fugir diante desse fantasma tétrico, e corrido de sua obra, buscaria ocultar no manto do esquecimento uma das fases de sua vida que põe em relevo seu caráter vil, mesquinho e pequenino — a demissão do delegado do Limoeiro por mudança de domicilio!!

Se no peito do Sr. C. Ribeiro se aninhasse se quer um resto de sentimento, de honra e dignidade, confessaria S. Mcê. Que – eu não ambiciono ser delegado; mas se representei ao Exmº. Sr. Presidente da Província, denunciando essa celebreira foi para que S. Exª. se convencesse (como o fez) do motivo posto em prática para obter-se a demissão duma autoridade, que teve a hombridade de conservar-se superior a liga fleuryna e desprezar in limine os embustes que o Sr. Custódio soltava aos quatro ventos.

Pouco importa que o Sr. Custódio saísse bem servido nessa tarefa, por certo inglória, para o homem honesto.

Só resta dizer como Lutero: maldita eternamente a paz, que se faz com prejuízo da verdade! Que eu era um sultão, que tudo fazia; tanto que depois de demitido não houve uma só prisão. Devia também dizer que a policia deste infeliz termo se conserva acéfala, visto que o seu preposto – delegado no decurso de mais de 3 meses não deu sinal de vida, como provei perante o Exmº. Presidente. Porém, não devia ter malevolamente ocultado que uma das poucas prisões havidas no meu exercício de delegado foi a – de um pobre rapaz emigrante, a quem S. Mc. Prendeu no distrito de Livramento, conduzindo um cavalo que havia pegado a 2 léguas, e m’o apresentou dizendo que prendera em flagrante!

Negará isso? Não duvido, porque, infelizmente o conheço. Procure o Sr. Custódio morder-me de emboscada qualquer salteador, que eu o acompanharei sem receio de sua bílis e sob a firma de...

Ignácio Mendes Guerreiro de Andrade

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