Jornal O Cearense, 30 de agosto de 1881
Ao Sr. Dr. Joaquim
Bento
Não
se pejam os malsins da Gazeta sem Norte de publicar tudo que lhe enviam os
informantes sem critério, que só procuram reviver ódios e concitar vinganças.
No
número 170 desse jornal de 7 do corrente, em uma correspondência desta cidade
datada de 23 de julho, se me injuria para injustamente se acusar ao Dr. Manoel
Coelho Cintra muito integro juiz de direito da comarca e em artigo de redação
no mesmo jornal de nº 171 sou de novo agredido com o mesmo Dr. Juiz de direito.
Não
lamento a simples credulidade da redação e muito menos sinto, que se deixasse
iludir pelo despeito e ódio do seu informante, que não pode ser outro, senão o
Dr. Joaquim Bento.
Antes
estimo que sempre publique patranhas como essas, para ver se produzem efeito,
aumentando o desconceito público de tais rabiscadores.
É
pena que a simplicidade desse médico
sem clínica, dê lugar a não se conhecer.
Vão
lhe dando douradas pílulas que as digere facilmente, em seu cientifico abdômen, como o imbecil Cláudio,
o monstro cobiçoso, que bebeu o veneno que lhe deu sua sobrinha Agrippina.
O
Sr. Dr. Joaquim Bento, aqui esteve nesta cidade mendigando votos.
Em
um jantar que lhe foi dado pelo chefe de seu partido, o Rvm. vigário João
Vicente Ferreira Lima, este brindou ao Sr. Dr. Cintra, pelo modo honesto, imparcial
e justo, que teve no alistamento e os seus colegas Dr. Juiz municipal e o Dr. Promotor
público secundaram esse brinde de modo mais honroso possível.
Todo
o alistamento desta cidade correu calmo e com satisfação geral, sendo o Sr. Dr.
Cintra por demais rigoroso com seus próprios amigos, benévolo e cavalheiro para
com os seus desafetos.
Não
recorri e nem pessoa alguma de seus despachos de inclusão dos cidadãos
alistados nesta paroquia.
Os
poucos recursos que se deram, foram todos próprios requerentes que se julgaram
prejudicados e quase todos são conservadores, e tiveram vistas dos autos e lhes
foram dados os documentos perdidos.
Eis
a verdade sabida por todos e pelo Sr Joaquim Bento.
Vejamos
se esta correspondência é ou não da lavra do Sr. Dr. Joaquim Bento.
O
alistamento se findou nesta cidade a 23 de julho, como consta dos editais e dos
protocolos; como é que a 21 (3 dias antes) desse mesmo mês já se dá como ele
findo, ter havido recursos contra os amigos, preterições, surpresas e abusos
por conchavos do mesmo juiz comigo?
Aqui
não há por certo ninguém que comunicasse tais patranhas a redação da “Gazeta”
da qual dizem (o que duvido) faz parte o Sr. Joaquim Bento; este é que
antecipou tal noticia, para justificar sua vergonha e futura derrota.
É
muito desfaçamento, só para se ferir as reputações alheias.
Se
a correspondência é um invento de fatos, o que não diremos deste artigo
editorial, precedido de bombásticas frases, para torna-lo ameno e acessível a
verdade, revestindo-se esta, com as roupagens da mentira.
O
Sr. Dr. Joaquim Bento não pode escrever assim, tão bonito, apesar de ter sido
deputado e obtido uma pataca de votos
para senador.
Esse
artigo foi feito por sugestões de S. S.; os fatos narrados nesta aludida carta
são da mesma origem e procedência.
Então
Sr. Dr. muito se tem incomodado com o meu proceder contrariando esses mecos, a quem o Sr. Promete mundos e
fundos, até ... até... logo direi tudo, mais tarde entrarei em minunciosidades
que muito devem honrar a um futuro representante da família Bentificada.
Recorri,
meu Dr. contra a inclusão de 8 conservadores e 2 liberais ou antes dois heróis da
Mancha alistados na paroquia do Limoeiro, e isto fiz, exercendo um direito que
que não é dado aos imbecis
contestar-me. O fiz de público nos dias 16 a 23 de julho e o alistamento desta
vila se incorreu a 28.
Os
termos de recursos foram lavrados perante testemunhas que os assinaram.
Onde,
pois, a surpresa?
Não
sou e nem posso ser instrumento de ninguém, sou amigo do Dr. Cintra, e se este,
como diz a redação, é tão partidário e como combinou, como consentir na
exclusão de seus co-religionários, sendo alguns seus especiais amigos?
É
ousada falsidade!
Este
meu proceder foi que deu lugar ao Sr. Major Nogueira recorrer por sua vez
também de outros tantos liberais do Limoeiro e o fez pela mesma forma, sem
reserva e com as formalidades legais.
A
lei não exige testemunhas de recursos, mas, por escrúpulo do Sr. Dr. Cintra,
ordenou ao escrivão que não lavrasse termo algum sem testemunhas para que estas
a todo tempo pudessem o ressalvar de qualquer censura.
O
cidadão Joaquim José de Aguiar é um pernambucano distinto por suas qualidades e
posição social; exerceu no Recife o cargo de jurado e de subdelegado da capital
na presente situação.
É
um liberal de todos os tempos, e nesta província, adepto ao partido da “Gazeta”
e que o diga o Sr. Dr. Thomaz Pompeo e seu sogro Teixeira de Castro do Aracaty.
Dou
pêsames a redação da “Gazeta”, por tê-lo tratado tão ridiculamente.
Os
demais fatos atirados a conta do ilustre Sr. Dr. Cintra, não me dado
contraria-los, porque estou certo que serão refutados com vantagem pelo mesmo
Dr., cuja honestidade e justiça que caracterizam seus atos, são incontestáveis.
É por demais ridículo e irrisório dizer-se que o
Sr. Dr. Cintra propositalmente deu a renda de 200$000 ao José Vidal para se
vingar deste. Não será esta renda a da lei?
Se José Vidal dá 60 crias à coletoria, queria renda
de 800$000 ou de 1:600$000 para que não a mencionou em seu requerimento ou não
reclamou por essa ridícula renda?
O fato de
dar 60 crias, a lei não previa, para lhe dar direito uma renda superior.
Que qualidades de crias, serão bezerros, bodetes ou
cabritos?
Cumpria
a “Gazeta” ser mais explicita.
Esse proposito do juiz ou antes vingança,
como se diz, houve também para muitos cidadãos da comarca que estão com igual
renda.
Parece que José Vidal pretende ser também candidato
a deputação geral.
Se assim é, como é de crer pela gritaria da “Gazeta”
e seus amigos; o Sr. Joaquim Bento, devia louvar o ato do Sr. Dr. Cintra, por
ter excluído esse candidato seu competidor na próxima eleição.
Seja muito feliz Sr. Joaquim Bento em sua carreira
eleitoral; o seu estado de desapontamento e desespero é melindroso, só inspira
riso e compaixão.
Olhe que é muito feio a um candidato de seu jaz,
escrever censuras tais, deixe o mau habito de inventar fatos que os vícios de
seu coração se aumentam com os anos.
S. Bernardo das Russas, 18 de agosto de 1881.










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