Jornal do Commercio (RJ), 23 de janeiro de 1882
CEARÁ
Eleição do 8º distrito
Agradeço ao Sr. A. Caminha a publicação que no jornal de hoje fez de ima
carta minha ao capitão Manoel Antônio Ferreira Nobre, de Mundo Novo, a
proposito da eleição para deputados provinciais. Em outro artigo havia dito o
Sr. Caminha que eu atraiçoara aquele meu amigo, tirando-lhe a votação do
Limoeiro. Para as pessoas que me conhecem nenhum valor tem essa desprezível
imputação. Veio agora S. S. tirar a limpo o meu procedimento, que não teve, nem
podia ter outro fim, senão o de salvar dois candidatos liberais em um distrito
em que disputavam seis, os candidatos dos dois partidos, e nenhum deles tinha
sido eleito no 1º escrutínio. O distrito da quatro deputados provinciais. Foram
eleitos dois liberais e dois conservadores. O resultado da votação era previsto
e foi o que se esperava. O Sr. capitão Nobre não teve votação alguma em
Cascavel, Aracaty e Russas.
Quem os atraiçoou nesses colégios?
Distribuída pelos três candidatos liberais a votação do Limoeiro, dois
com certeza seriam derrotados.
Isto é evidente.
Achando-me por mero acaso no Limoeiro no dia da eleição, os meus amigos
apelaram para mim na difícil situação em que se achavam. O que fazer? Aconselhei-os a segurarem a maioria da
assembleia provincial, dirigindo in
continenti ao capitão Manoel Antônio Ferreira Nobre a carta que o Sr.
Caminha fez-me o favor de reproduzir.
Abusando da intimidade e da confiança em que foi escrita e inspirando e
unicamente nos sentimentos de egoísmo e despeito, o Sr. José Nobre e o Sr.
Caminha prestaram-me um assinalado serviço, ficando bem patente que, se eu
curasse só dos meus interesses outro seria o resultado da eleição; isto é, os
conservadores teriam maioria na assembleia provincial.
Estou satisfeito, satisfeitíssimo.
Não respondo, porque não quero, as novas provocações de um adversário
como o Sr. A. Caminha cuja ferocidade se revela nos termos grosseiros em que se
exprime.
Feita explicação, alias escusada para quem leu a minha carta, dou-a
unicamente aos meus amigos e ao partido liberal do Ceará.
Joaquim Bento
Rio, 23 de janeiro de 1882.










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