Jornal A Constituição, 1º de outubro de 1876
Um Anônimo Do Cearense
No
Cearense nº 91 de 8 de vigente mês, lê-se uma correspondência da lavra de
syrtes desta vila, na qual se vê as maiores calunias irrogadas contra diversos,
onde me coube um quinhão, por isso me cumpre dar a necessária resposta.
Cobarde
sem conceito nem reputação, assassino da moralidade e bons costumes alheios,
por que não assinastes o teu conhecido nome?
Traidor
corrupto, por que não mostras o rosto? Quem por ventura terá os teus
reprováveis costumes? Quem, como tu, é capaz das maiores bandalheiras? Quem te
dará credito, sendo tua fama tão celebre em toda parte, pelas tuas
traficâncias, venalidades, corrupção e mau conceito?
Infame
arreda a mascara do anônimo, a vil baixeza do teu feroz envenenado gênio e me
verás levar tuas bandalheiras ao publico.
Ex
- grumete ruim, quem como tu seria capaz de obrar as traficâncias que nos
imputa? Bem sei que alter culpam magis
te, quam habet, si mens non teva fuisse, pois assim foi protestado. Mas,
cobarde com que interesse serves de instrumento aviltante na mão do disfarçado?
O que, senão ódio, lucras?
Daqui
se celige claramente quem és e quais os teus abusivos e reprovados costumes. Pois
só por te conservares baldio na sociedade e no todo desacreditado, procuras um
meio o mais reprovado espoleta ou bisbilhoteiro para aniquilar a reputação
alheia?!!
Com
que interesse assumes a responsabilidade dos feitos estranho? Não vês que é a
negra máscara do anônimo com que te cobres está rompida, já por seres do
publico conhecido, já por se ver que não tinhas fundamentos para isso?
Traidor
mesquinho atrabiliário, tratante, escoria vil da sociedade, nauta sem brio,
honra nem moral, dissoluto ruim e de torpes sentimentos por que te ocultas
depois de propinares e teu ardil veneno? Corrupto, miserável, mostra, põe em
publico essa cara sem pudor!
Assassino,
mil vezes assassino da reputação alheia, quem, exceto tu, dirá que o chefe
conservador desta paroquia julga licito
todos os meios em politica, com tanto que cheguem ao fim almejado?
Se
assim fora, tratante, por ventura, sendo o colégio todo conservador e por ele
dirigido, consentiria que na junta qualificadora entrasse um espião liberal,
para como era esperado fazer guerra civil aos qualificandos?
Mas,
vê tu quanta consciência teve ele que desgostando alguns amigos protestou que
queria que entrasse um adversário para requerer todo o seu direito a bem de
seus correligionários e para que em tempo algum dissessem que a eleição fora
perdida por falta de qualificação.
É
esse homem que por fúteis desafeições que lhes votas o acuso de falta de moral?
Sr.
Redator peço espaço nas colunas do seu jornal, sendo divulgado claramente, este
infame caluniador, diz duas palavras com relação a sua boa crônica.
Vila
do Limoeiro, 23 de setembro de 1876.
José
Camillo de Castro e Silva.










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