Jornal O Cearense, 20 de abril de 1877


A bolsa ou a vidaAchamo-nos numa situação bem aflitiva. As notícias que vem do centro é bem aterradoras; enquanto a seca vai na sua marcha crescente da devastação, organizam-se quadrilhas que se preparam para o saque geral. A segurança individual e de propriedade corre iminente perigo.

Em algumas localidades a população acha-se dominada por um pânico horrível; os homens abastados entram em liquidação e tratam de abandonar seus cômodos e até a fortuna que não pode, de ponto ser liquidada, receando o assalto, pois os bandos armados percorrem livremente as ruas das grandes cidades, vomitando ameaças sinistras.

Não é a fome que incita os desordeiros a esses planos de pilhagem; o nosso povo em geral é pacifico e ordeiro, são alguns homens de instintos perversos, afeitos ao crime, que se prevalecem da medonha catástrofe de que estamos ameaçados, para dar expansão aos seus danados instintos.

Convém que a autoridade se revista de todo prestigio e energia para combater esse novo flagelo, por ventura tão cruel como o da seca que assola a província.

Corre a dias que o Rvd. Bessa, sacerdote muito respeitável, residente em São João do Jaguaribe, em viagem para Limoeiro fora em caminho atacado por 3 mascarados, que lhe apresentando os punhais, exigiram-lhe a - bolsa ou a vida – que o padre com todo o sangue frio tirou a carteira que continha 14$000 rs. e entregou-a aos bandidos que o deixou seguir em paz.

Não sabemos que grau de verdade tem esse fato, o que é certo é que ouvimo-lo referir por pessoas fidedignas.

É triste a nossa situação.

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