Limoeiro, 7 de fevereiro de 1881

                         A mentira ausenta-se logo que aparece a verdade.

Sobre esta epigrafe traz o Cearense nº 16, de 22 de janeiro de 1881, um aranzel do Sr. Custódio Ribeiro Guimarães, que expõe como peça digna de ser apreciada a guisa de defesa, por ter a Gazeta do Norte, denunciar suas bravuras, na eleição senatorial.

Por mais que procure o Sr. Custódio Ribeiro torcer a verdade, esta de quando em vez transparece em toda sua nudez, como no óleo lançado n’agua, eleva-se a superfície dela.

É assim que o Sr. Custódio Ribeiro confessa que no dia 2 de dezembro achando-se aberto o consistório da Matriz onde não podia S. S. fazer a salvo sua boa eleição dirigiu-se com seus amigos e aberta a porta principal etc.etc.

Resta saber se a porta abriu-se por alguma força mágica ou se foi o Sr. Custódio Ribeiro, que escalando a igreja por meio de escada, abriu com suas próprias mãos a porta.

Acostamo-nos a esta ultima hipótese, tanto mais quanto já se acha exuberantemente provado.

Diz o Sr. Custódio Ribeiro, com todo seu costumado sangue frio, que o 3º juiz de Paz, mandando procurar seus antecessores, verificou-se estarem ausentes.

Oh! Pudor! Oh! Honestidade!

Quanto sofres de quem te não preza!

Um bom achado é também este:

Diz mais o Sr. C. Ribeiro que uni-me ao escrivão Serafim por favor que solicitei de um Conservador residente no Baturité.

Creio que o Conservador que S. S. alude é o Dr. Manoel Joaquim Cavalcante de Albuquerque, a quem desde já concito a declarar sob sua palavra de honra o pedido que lhe fiz a respeito.

Do mesmo quilate são os embustes por S. S. lançados aos quatro ventos de que fui auxiliado pelas autoridades policiais, desde o delegado até o ultimo na escala policial a frente de um grupo, onde se notaram muitos votantes. 

É linguagem sua e vem manifestamente contradizer o seu libelo, na parte, em que assevera que eu não tinha elementos para uma eleição.

Sem dúvida desses elementos dispunha o Sr. C. Ribeiro só com adquirir seu genro o Coronel Brasiliense de Hollanda Cavalcante, influencia na politica na razão de zero.

Então, o meu bastão de Chefe, pedido ao Coronel Antônio Manoel Ferreira Maia, dele foi tirado por minha traição!

É um dilema que só o Sr. C. Ribeiro poderá explicar com sua força de lógica e coerência; porque, se foi pedido e não negado, não podia ser subtraído.

Quem tem fé de oficio e bastante habilidade para coisas desta ordem é Sr. C. Ribeiro, bem conhecido por ter feito politica em tempos difíceis: parece que o Sr. C. Ribeiro remonta o tempo de seu progresso que o tornou tristemente celebre na cidade do Icó, onde espezinhou o legitimo partido liberal e teve o arrojo de querer suplantar a importante família Frutuoso; proeza que S. Sª. pagou bem caro, retirando-se as carreiras para não prestar contas de seus atos.

Pode ser e até acredito que Sr. C. Ribeiro não considere isto decepção, principalmente quando ali representou sempre bom papel, até o de – Judas – com que o condecoraram, em recompensa de sua dedicação e serviços políticos que acabava de prestar.

Não tive outro móvel para fazer junção com os Conservadores, senão as conveniências do partido que mantinha harmonia dos interesses da localidade, onde o Sr. C. Ribeiro quer a todo transe plantar sua árvore favorita a – discórdia.

Felizmente todas as pessoas de bom senso o conhecem assaz, para fugir ao seu contato, como do abismo iminente.

Não fui, pois dirigido pelos amigos aquém S. Sª. atende, que cônscios do que valem e de seus atos, apenas lembram-se do Sr. C. Ribeiro para votar-lhe solene desprezo.

Que importa que S. S. se jacte-se de valimento atual?  Não lhe invejamos a posição e sempre terei a precisa hombridade para recusar in limine suas sugestões, como fiz quando S. S. me indicava seus planos sinistros e tenebrosos.

Resta que o Sr. C. Ribeiro prove a não elegibilidade de nossos eleitores; nada mais será preciso para anular a eleição que tanto o incomoda e aproveitar a sua força, que lhe produzira bons proventos, pondo-lhe o direito de demitir aqui até o vigário da Freguesia, escapando unicamente de seu coup de foudre aqueles que o adoram, a quem sua S. S. promete pingues empregos, patentes, condecorações, & &.

Ainda não aproveita o embuste que por seu despeito lança sobre o nosso distinto amigo professor José Antônio, cujo crime único é ter sabido heroicamente resistir as iras e ameaças do Sr. C. Ribeiro; o que só basta para pô-lo a salvo da maledicência, quando outros muitos títulos não militassem em seu favor, como empregado ativo, zeloso e fiel cumpridor de seus deveres.

Outro expediente; pois que nem sempre a calunia produz o desejado efeito.

Diz finalmente o Sr. Custodio que o grito de Comissário me faz tremer. Posso afirmar-lhe que tenho consciência de haver neste caráter cumprido com maior desinteresse o dever que me empunham a caridade e o governo a quem servi; e se algum remorso senti foi somente o de não ter feito efetiva a responsabilidade de algum freteiro, no que aliás estou tranquilo, por ter obrado de boa fé.

Limoeiro, 7 de fevereiro de 1881.

Cândido José Gonçalves Malveira.

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