Limoeiro, 10 de fevereiro de 1881
Ódio Velho Não Cansa
Já me considerava
salvo da tormentada desde que o Sr. Custódio Ribeiro Guimarães se
ocupado com gente maior, concretizando todas as suas forças para o triunfo
efêmero de uma eleição e na perspectiva de aterrar aqui a todos que modernamente lhe não cai em
graça; mas, assim não aconteceu e é o caso de dizer: - Ódio Velho Não Cansa.
Sim, em um escrito
publicado no Cearense de 22 de janeiro, o Sr. C. Ribeiro não pode ocultar suas
iras contra mim; e, através da espessa sombra do tempo, por entre a facilidade
do caso somente, deixa escapar o seu despeito, atirando-me amabilidades, que,
soube revelarem a mais requintada má fé, se aninham justamente na fonte d’onde
partiram.
Para produzir minha
cabal defesa bastaria escrever simplesmente e em português claro: - Custódio
Ribeiro Guimarães – (veja-se a história politica de 1868 na cidade do Icó
antigo Progresso).
Só esta estampa
(creio) atrairia furiosa e execração publica e baquearia irremissivelmente todo
o seu baluarte.
Bem sei que o Sr.
Custódio Ribeiro de algum tempo estar a parte, tem o espirito obcecado pela má
vontade que me vota e isto o leva sem duvida a lançar-me doesto degradantes,
que sua própria consciência repugna gritando-lhe como juiz inexorável –
falsidade.
E é por isso que
suas ameaças e impropérios só tem excitado minha compaixão e desprezo.
Propositalmente
aguardei-me para escrever estas linhas hoje – quinta feira – para que o Sr.
Custódio Ribeiro não diga eu abondono meus alunos.
Bem podia contrapor
a esta inverdade o testemunho insuspeito de sua boa gente; mas, como sei que S.
S. só deseja é fazer espécie fora daqui e prevendo que dará a luz uma segunda
edição de sua obra, cuidadosamente argumentada e melhorada, reservo-me para
acompanha-lo, não no terreno da infâmia e da maledicência, mas, discutindo com
calma e apoiado em provas esmagadoras, entre estas, a confiança que se dignou
S. S. dispensar-me antes de seu delírio; ou, por outra, antes de cometer eu o
crime imperdoável que me acusa, contra toda logica e razão natural.
Em idêntica
excomunhão incorreu pelo mesmo motivo, o prestimoso cidadão José Vidal Maciel,
no dizer do próprio Sr. Custódio Ribeiro em lucido intervalo – um dos
caráter mais sérios desta terra.
Quisera que o Sr.
C. Ribeiro não me obrigasse a estabelecer uma polemica; continuasse embora S.
Sª. a protestar exterminar-me: eu iria sofrendo em silencia, como tenho feito,
contentando-me com minha obscuridade e modesta posição, mas, sem invejar a sua
jerarquia e apenas dizendo as suas capciosas pretensões: non credimus.
Porém, se S. S.
provoca-me tornando-me responsável responsável por seus repetidos ecos, sem
duvida permitira que me defenda, ainda que seja preciso dizer-lhe verdades
amargas.
Posso afiançar ao
Sr. Custódio Ribeiro, que continuarei a prestar os meus limitados
serviços aos amigos que me consideram, com a mesma dedicação, fidelidade e
desinteresse com que costumo proceder e com a mesma franqueza e lealdade com
que sempre estiveram a disposição de S. Sª., de quem recebi boa praga; mas, nem
por isso o censuro, porque bem sei do antigo proverbio: - le jour du bienfait est vetlle de l’ingratitude.
Continue o Sr. C. Ribeiro a vociferar contra a minha humilde
individualidade, já como empregado público, já como particular: dou-lhe carta
branca para examinar minha vida nos diferentes pontos onde tenho residido, a
começar do Riacho do Sangue onde nasci: podendo até mandar correr folha nos
respectivos cartórios.
A despeito dos seus terrores e poderio, eu sempre serei o mesmo.
Limoeiro, 10 de fevereiro de 1881.
José Antônio de
Queiroz e Mello










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