Jornal A República, 7 de janeiro de 1895
Major Agostinho Enéas da Costa:
A morte impiedosa ceifou mais uma vida
preciosa, levando a luto e o desespero ao seio de uma pobre e honesta família.
Vitimada por uma congestão hepática finou-se
hoje, quase repentinamente, nesta Capital o nosso presado amigo Major Agostinho
Enéas da Costa diretor de seção da Secretaria de Justiça, lugar que
desempenhava com muita inteligência, zelo e probidade.
Era advogado e mostrava-se muito versado no
direito civil e criminal.
Manejava com facilidade a pena e por vezes
honrou as colunas desta folha com belos artigos, vibrantes de patriotismo.
Amigo dedicado até o estoicismo caminhou
sempre pela linha reta; ninguém o viu tergiversar jamais ou fugir ao perigo, quando
mais incandescentes eram as lutas politicas em que se achou envolvido.
Há muito se sentia doente, porém, não
abandonava a faina em que vivia, a fim de poder socorrer as necessidades da
numerosa família, pois que os seus vencimentos de empregado público não lhe
chegavam. Obtendo uma licença, fora para Quixeramobim no mês passado a convite
da família de nosso inditoso amigo Comendador Garcia, encarregar-se da acusação
dos assassinos deste. Dali partira para Limoeiro, onde fora chamado para tratar
de uma questão.
As inquietações de espirito e as fadigas das
viagens, neste tempo de calor asfixiante e sol abrasador, agravaram-lhe os
sofrimentos cardíacos, apressando o desenlace fatal.
Morreu como funcionário público que faz da
honestidade o seu escudo, paupérrimo, não deixando com que se lhe faça o
enterro!
É um quadro pungentíssimo:
Uma pobre senhora, cercada de 9 filhinhos que
lhe pedem o pão, ali está ajoelhada junto ao esquife que encerra tudo quanto
lhe era choro no mundo.
A desolada família enviamos as expressões de
nossa mágoa.










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