Jornal A República, 30 de novembro de 1894

 

TRIBUNA DO POVO

Padre Custódio Saraiva Leão

Faltaria ao mais sagrado dever de amigo, iria contra os ditames de minha consciência e não corresponderia, por certo a expectativa de meus concidadãos, se não visse a imprensa manifestar o profundo sentimento que me fere na alma pelo inesperado passamento do Padre Custódio Saraiva Leão, vigário desta freguesia, no dia 23 de setembro ultimo.

Cedo, muito cedo, terminou o grande levita sua gloriosa missão, para gozar da recompensa que Deus concede a seus escolhidos na etérea morada dos justos.

O padre Saraiva a cujo lado permaneci desde 1890 até os últimos momentos de sua preciosa existência, era um homem privilegiado, um dos primeiros entre o clero cearense, de uma erudição vastíssima e tão modesta que nenhum cabedal fazia da elevada soma de conhecimentos que possuía.

Nas funções de pároco desta freguesia e de Morada Nova, soube impor-se a estima de seus paroquianos, que nele reconheciam o amigo dedicado, o cidadão prestimoso e distinto; aquele que nunca teve uma palavra de desagrado para com pessoa alguma.

As suas exéquias afluíram todas as camadas sociais em numero superior a 800 pessoas, em cujos semblantes lia-se a intensidade da dor os torturava.

Se o povo destas freguesias perdeu no padre Saraiva, uma perola cujo valor não pode calcular, que titulo se deve aplicar ao golpe que tão rudemente feriu a família que o idolatrava?

Assim, pois, dirijo meus sinceros pêsames aos senhores seus sobrinhos José Saraiva Leão, Exmª. Tereza Saraiva, Antônio Gomes de Faria e Francisco Saraiva Leão.

Limoeiro, 9 de outubro de 1894.

José Nunes Guerreiro

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