Jornal O Cearense, 22 de janeiro de 1881
A mentira ausenta-se logo que aparece a verdade
Na Gazeta do Norte se me
imputam fatos por mim praticados, sobre as eleições a que vou dar uma resposta
simples por diferencia ao publico.
O órgão a que meu detrator
se socorreu o desabona, porque é o veiculo da infâmia e da calunia, bastava-me
devolver suas injurias intactas.
Sem elementos para uma
eleição, a minú, o alferes Cândido José Malveira não podia satisfazer a causa
tão antipatizada, aborrecida, odiada na província, onde são bem conhecidos os
seus prosélitos.
Recusando uma proposta, que,
a instancias de amigos, lhe fiz para a conservação do partido liberal intacto,
não obstante ser seu inimigo particular pede socorro a um conservador existente
no Baturité, para fazê-lo aceitar pelo escrivão Serafim e unidos fazerem as
eleições. Dar-lhe-ia tudo, para nada conseguirem os liberais.
Saiu à causa como desejava,
porque desde 1864 não há eleições regulares, mas, atas figuradas; difícil era
acordar o povo, que dormia, e não lucrava nada movendo-se a prol de quem não
acha quando procura uniram-se os dois homens.
Em 5 de novembro, Serafim,
na falta de escrivão do juiz de paz lavra o edital de convocação dos eleitores
e imediatos, assina-o José Lopes da Silva e afixa- se o. O corpo da igreja é
designado para a função eleitoral.
Morador a quase 3 anos no
lugar, conhecido por ter feito politica em tempos difíceis, desde de 1852 sou
considerado e disponho de recursos para opor-lhes resistência. Intenderam-se
com o vigário, que no dia 2 de dezembro, as 9 horas da manhã, fecha a igreja
dando a chave do consistório aos 2 contratantes, mas, as 10 horas em ponto fui
para a Matriz com meus amigos, aberta a porta principal, ficou livre para
todos.
Não comparecendo os 1º e 2º
juízes de paz, o 3º que era também eleitor, manda procurar os seus antecessores
e convencido de estarem ausentes, procedeu à formação da mesa na forma da lei.
Só 3 horas depois alguns
eleitores passaram para o consistório e nesta ocasião não se viu juiz de paz, constituíram
sua mesa, ignorando-se como.
Juiz de paz só no
consistório da matriz, depois da hora designada, formara tudo que quiserem mesa
eleitoral nunca.
Tem-se negado a determinação
do corpo da igreja para as funções eleitorais, no edital. A questão é de fato,
a apresentação deste edital por si só a resolve. Este edital esta na tipografia
do Cearense tudo está em vê-lo e examiná-lo.
Os dois partidos estão, por
sua índole e natureza, muito longe um do outro, neste lugar, teatro de antigas
atrocidades cometidas contra os liberais, a distancia não é de fácil extinção,
não é por um salto mandado dar por Candido Malveira e escrivão Serafim, que o
povo vence esse abismo. Esta obra, a união de elementos contrários, como estes
não é para estes 2 personagens, pedi mais tino, muito jeito, dali a abstenção
das massas.
Por mais que fossem os
esforços dos 2 contratantes, apenas o delegado Ignácio Mendes Guerreiro de
Andrade para apadrinhar seu cunhado Malveira, juiz municipal substituto em
exercício, o 1º suplente, primo da mulher de Malveira e sobrinho do delegado
Joaquim Nunes Guerreiro, o 2º suplente filho e quase todo corpo oficial
apareceu no dia 5 a frente de um grupo, onde se notavam muitos votantes
constrangidos.
Alguns mesários foram
armados mandados percorrer as ruas para ao menos impedirem os liberais de
comparecer as eleições. Era isso a pretexto de guardar a urna das eleições que
se fingiram feitas no consistório da igreja.
O delegado não pode negar
que concorreu a eleição, armou gente e interveio diretamente. O Sr. Ignácio
Mendes quererá afrontar a prova disto; mas, seu calar será sua confissão.
Se a isso o provoco,
queixe-se do professor de 1ªs letras José Antônio de Queiroz e Mello, que para
servi-lo, dedica-se a politica e abandona seus alunos, pressas porque quer ser
conhecido, donde pretende tirar todo seu mérito. Se duvidar irei por diante.
A miséria desta gente leva-a
não ver que, ofendendo ao distinto Sr. Brasiliense Hollanda Cavalcante ainda
não há muito proclamado o primeiro homem do lugar, se manifestam pobres da opinião
pública, sem companheiros dignos.
Precisa acordar ao Sr.
Malveira para lembrar-lhe que o bastão de chefe pedido ao coronel Antônio
Manoel Ferreira Maia, por sua traição, dele fora tirado e hoje é zero razão
porque não pode obsequiar aos minús, se não a proteção do escrivão Serafim a
ordem pedida do Baturité. Em tudo o poder da autoridade é déficit largo na
opinião publica.
Desminta-me. Alguma vez
apresentou-se, em S. Bernardo, nas lutas politicas, quando Limoeiro lhe era
sujeito? Então, é certo, não contesto,
ainda não tinha sido comissário e comissário de sua ordem, que de tudo se
assusta, ninguém dá carta.
O
grito de comissário o faz tremer e fugir ainda estando muito bem aguerrido, tem
uma força, um poder, que vai além de qualquer muralha bater seu coração. É como
azorrague para o escravo que resiste ao exercito mais bem armado,
corre e foge só ao vê-lo, veja a história: Meus amigos não podiam ver minhas
costas, como diz, sabendo que como Aquiles, o Sr. Malveira tinha um lugar
vulnerável. A graça é com outros que lhe ficam mais perto; procure os minús.
Tenho cartas suas Sr.
Malveira, em que protesta sacrificar tudo para vencer essas eleições, até a
vida, que tem como coisa de mais estima; porque honra e dignidade é tudo peta (mentira). Dai essa inverdade e dai essa
união servil ao escrivão Serafim, a João Anselmo, a José Vidal e ao afamado
professor de 1ªs letras.
A calunia é arma do infame,
ai não o seguirei, ocupo-me dos fatos, farei os comentos a que se prestarem,
história certa, analise racional.
Que combinação fez com o
padre João Vicente? Por ai é pego em flagrante. Se deu votos a meus amigos foi
por se ver perdido.
Por suma lhe digo que alguns
eleitores seus não são elegíveis.
Voltarei ao assunto.
Fortaleza, 21 de janeiro de
1881.
Custódio
Ribeiro Guimarães










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