Jornal Gazeta do Norte, 17 de dezembro de 1880
CRONICA POLITICA
A liga é rica e fértil em expedientes eleitorais; põe em contribuição
todos os recursos a que é capaz para fazer constar que tem o apoio da
Província.
Quando não pode vencer pelos meios regulares ameaça, falsifica, promete
empregos e postos na Guarda Nacional, etc., atordoando completamente o espirito
crédulo dos homens do interior.
Contudo pouca há conseguido.
D’ai, seu desespero e os atos de feroz atrocidade que praticou nesta
Capital e de que temos notícia em Baturité e Maria Pereira.
O sangue Liberal, que tem tingido as mãos dos seus e as atas falsas, não
lhe causa senão mais sede de vingança, aguçando-lhe os instintos homicidas e
fraudulentos.
Rendemos graças a Província quando sabemos que, nas localidades, nas
quais nossos amigos apareceram, saíram sãos e salvos ou apenas esbulhados de um
direito sagrado, como o do voto.
Pela carta que em seguida publicamos do Limoeiro, vê-se que o plano geral de
fraude eleitoral vai surtindo efeito.
Nossos amigos com a totalidade do eleitorado organizaram a mesa e procede a eleição Legítima, enquanto um fuão a tal Custódio, dissidente, se introduzia a matriz e finge uma eleição que nunca existiu.
Escrevem-nos do Limoeiro em 9 de dezembro de 1880:
No dia 2 do
corrente, quando nos preparávamos para a organização da mesa paroquial,
Custódio assaltou a Matriz, que se achava fechada, abriu-a, penetrando por uma
janela do coro, servindo-se de uma escada, e formou uma mesa clandestina no
corpo da mesma Matriz.
Em tais
circunstancias, nós que não pretendíamos o corpo da Matriz, visto ter sido
designado o consistório pelo edital de convocação, ai organizamos a nossa mesa
com toda legalidade e estamos prosseguindo na eleição, com toda regularidade e
ordem.
Custódio
continua na força começada pela escalada, propalando que assim procede por
contar com a proteção do Governo Provincial.
É com esse
duende que por aqui se pretende improvisar um partido oficial, para bater os
dois partidos regulares.










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