Jornal do Comercio (RJ), 14 de janeiro de 1882
Os
abusos do juiz de direito Cintra
Em
meados de outubro foi aberto o júri no termo de Cachoeira, por aquele juiz de
direito, a fim de ser defendido ali pelo Dr. José Avelino um só réu; quatro ou
cinco dias depois o mesmo juiz abriu em Jaguaribe-Mirim, para ai ser julgado um
único processo, em que figurava como advogado o Dr. José Avelino; finalmente,
quatro ou cinco dias depois o juiz de direito Cintra abriu júri em Morada Nova,
para ser ai julgado um único réu, de que era advogado o Dr. José Avelino o que
quer dizer que esses dois estavam de mãos dadas, as portas estavam sempre
aberta para o Dr. José Avelino em sua excursão eleitoral, contribuindo deste
modo para que se fizessem conchavos contra os interesses da justiça pública.
Mas,
não ficam ai os abusos: em Morada Nova o juiz de direito Cintra, para intimidar
o major Eduardo Girão, um dos chefes conservadores e induzi-lo a trabalhar em
favor de seu protegido, mandava ameaçar o referido major deixando entrever a
possibilidade de um processo, pelo fato de haver ele castigado moderadamente um
seu escravo; e o mesmo fazia com o capitão José Ferreira da Silva Maia, um dos
chefes conservadores do Limoeiro, por um ato deste como juiz municipal suplente
na qualidade de votantes.
Foi
por esses semelhantes abusos e porque o Sr. Cintra vinha com frequência ao
Aracati, comarca diversa da sua, que telegrafei ao Sr. Conselheiro Saraiva
dizendo que aquele juiz de direito cabalava dentro e fora da comarca e ameaçava
com processos as influencias locais.
Álvaro
Caminha T. da Silva.










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