Jornal do Ceará, 10 de agosto de 1905

            Do Limoeiro acabam de chegar dois corifeus acciolynos Luiz Brasiliense – “o sujo“ como vulgarmente o chamam e o Rvd. intendente Antônio Pereira da Graça Martins bem dispostos e aparelhados e ajustados dragões de politicagem sertaneja.

São dois pretendentes, está bem visto; um ao lugar de coletor estadual que o Sr. Accioly está, sem razão, manhoso em ceder; outro ao novo lugar de tabelião cuja pretensão teve depois que viu aqui publicado o projeto de divisão do cartório de Limoeiro e ao qual faz jus sem prejuízo de intendente e de vigário ... em ultimo lugar.

Diz Brasiliense que tudo consegue; que com essa gente é preciso jeito para se obter certas coisas.

Quando está muito difícil pouco interesse, às vezes serve e outras vezes só o recurso da luva aproveita, por meio do qual já obteve uma graça ... segundo diz.

Assim espera mais cedo ou mais tarde ser satisfeito, o que não duvidamos porque Brasiliense tem planos e laços que só ele.

De há muito o conhecemos e especialmente desde aqueles dias em que por duas vezes foi a residência do Dr. Valdemiro Cavalcanti jurar bandeira em nossas fileiras, armando-se segundo se expressava para dar um coice em quem mais tarde, tinha certeza, lhe daria igual ... era uma prevenção muito natural e dava como justificativa o chefe não ter ainda desprezado José Nunes que muito custava a vir a capital, sem fazer despesa e sem incomodar-se obtendo tanto ou mais do que ele.

Que sejam bem-vindos ao Sr. Accioly o Sr. coletor e o Sr. tabelião intendente vigário ... Graça. 

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