Gazeta do Norte, 24 de julho de 1881

 

INFORMAÇÕES MUNICIPAIS

Paço da Câmara Municipal do Limoeiro, em sessão ordinária 7 de junho de 1881.

Ilmo. e Exmo. Sr. – Esta câmara satisfazendo e recomendação de V. Exc.ª, exarada em circular de 27 de abril findo, sob nº 639, passa a responder:

 

1.   – Que os principais ramos de indústria do Município são a agricultura e a criação de gados grossos e miúdos, o fabrico da cera de carnaúba, que constitui um dos meios de vida dos habitantes das margens dos rios Jaguaribe e Banabuiú e as pescas nos rios e lagoas de que se nutre grande parte da população menos favorecidas da fortuna.

     Descrever a quantidade da produção e o número de braços empregados em cada indústria, é tarefa superior as forças desta municipalidade.

2.   – O solo do Município presta-se geralmente a cultura de cerais, mandioca e algodão, tanto na serra do Apodi, de patrimônio da câmara, como nas matas e terrenos banhados pelas enchentes dos rios, onde vantajosamente produz o algodão denominado – herbáceo – cultivado em grande escala de tempos a esta parte, de sorte que no correr do ano de 1876 exportou aproximadamente melhor 116.000 quilos.

3.   –Todas estas industrias estacionaram ou antes desapareceram, durante o fatal triênio de 1877 a 1879; sendo que presentemente, é nos grato reconhecer que tendem a ressurgir e reabilitar-se, a medida que cessa a normalidades das estações.

4.   – Como todas as localidades do centro, este Município foi horrivelmente assolado pela seca, que entorpeceu ou aniquilou, quase todas as suas vias produtivas e reduziu a mendicidade a maior parte de sua população!

5.   – Esgotados os recursos naturais, de que as classes indigentes fizeram alimentação comum no período da seca, forçoso foi recorrer ao extremo recurso da emigração para o litoral e províncias vizinhas; resultando afinal a perda de não pequeno pessoal, cerca de três a quatro mil almas, como pode verificar esta câmara pelos meios de que lançou mão.

6.   - Depois de terminada a seca tem voltado a seus lares diversas famílias emigrantes, entretanto é força confessar, que estado de miséria, em que tornaram, lhes não permite, tão rapidamente restabelecerem-se em suas antigas ocupações.

7.   – A despeito das dolorosas provas porque passou o Município, a população sempre laboriosa e diligente, permite reconstituir e propagar as condições industriais anteriores a seca.

8.   – Como era natural, apenas apareceu a estação invernosa, a população esmerou-se geralmente em plantações, conforme permitiam os recursos de cada um, e as sementes de que dispunham.

     Infelizmente, porém, as contrariedades que de ordinário perseguem as lavouras, de parceria com as inundações no presente ano, reduziram a insignificantes colheitas a safra de legumes, que nem se quer foi bastante para abastecer o consumo interno.

9.   – As principais causas que embaraçam ou dificultam, o desenvolvimento das forças produtivas do Município, são em geral, a falta de capitais e meios para o progressivo adiantamento da lavoura e criação, limitadas aos acanhados recursos de pobres lavradores e medíocres proprietários.

10.       – As medidas, que a nosso ver, podem ser adotadas pelo governo, para o fim de reconstruir as forças abatidas do Município, seriam: em falta de fundos pecuniários ao alcance do pessoal ocupado na agricultura, a construção de alguns açudes ou reservatórios, que além da manifesta utilidade para criação, fertilizariam convenientemente os terrenos menos acessíveis a plantação tornando ubérrimo e produtivo todo o território do município.

      São estas as informações que esta municipalidade tem a distinta honra de submeter a ilustração e critério de V. Exc.ª, de cujo zelo e abnegação pelo bem estar da província que sabiamente governa, é lícito augurar o seu lisouro futuro.

       Terminando, esta câmara pede desculpa a V. Exc.ª por não haver a mais tempo, satisfeito a predita circular, atentas as dificuldades que sentia para emitir com acerto seu juízo sobre questões esparsas e assuntos de elevada transferência.

      Deus guarde a V. Exc.ª. – Ilmo. e Exmo. Sr. Senador  Pedro Leão Velloso. – M. D. Presidente desta Província.

         José Vidal Maciel – Presidente

         José Francisco da Silva Maia

         José Ignácio de Sousa

         Deodato Hugo de Noronha

         Antônio Lopes de Sousa Andrade 

         Jeronymo da Silva Oliveira.


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