Jornal A Razão, 2 de agosto de 1936
História Engraçada:
Contou-me certa vez o Arnaldo Queirós, ou,
como queiram o Queirosinho da Agronomia, que
toda a Fortaleza conhece, e é pereirense,
que um indivíduo viajava nas várzeas do Limoeiro, onde abunda o plantio da
carnaúba. A carnaúba nova, plantada, juntos os pés uns dos outros, organiza-se
em touceiras que constituem verdadeiras muralhas ou trincheiras. Um individuo
viajava pelas várzeas do Limoeiro, dizia, quando é atacado por um touro, cujas
antenas córneas meteriam medo a satanás. O animal perseguiu-o e ele, indefeso e
em último recurso, lançou-se por baixo de uma touceira de carnaúbas novas.
Passada a hora H, foi tão grande para o miserável a dificuldade de sair, quanto
fora a facilidade de entrar. Alguém que passava ao longo, e ouviu os gritos de
socorro da vitima, aproximou-se e, inteirado do que se passara, descarrega em
torna da prisão original, o revolver. Foi como se as carnaúbas se sumissem de
terra a dentro, porque, de um pulo, o prisioneiro estava as barbas do outro:
- Que é isso? O Senhor quer me matar?
- Não, Senhor. Quem com medo aqui entrar, só
com medo sairá.










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