O Auxiliador da Indústria Nacional (RJ) - 1855
Parte do texto: MEMORIA SOBRE A CARNAUBA E
SEUS PRODUTOS, ACOMPANHADA DE UM DESENHO DA MESMA PLANTA, Por M. A. DE MACEDO.
Aqui em nossa região onde abunda a
carnaubeira as cercas são feitas com suas hastes, onde sua duração vai ao
máximo por oito anos, e serão substituídas por outras. Pois que a carnaúba como
é sabido é muito fraca, susceptível ao apodrecimento sendo exposta ao relento,
torna-se duradoura e incorruptível estando na sombra ou empregada em
construções marítimas, como currais de peixe, etc.
Por essa razão faz com que seja procurada,
com preferencia, principalmente para a construção de casas e mesma de alguns
edifícios públicos, para o que se presta com toda a felicidade e economia,
dispensar a lavagem, por ser naturalmente direita e quase polida. Segundo o seu
emprego nesse gênero de construção, pode-se afiançar que dois terços desta
cidade do Aracati (com pequenas exceções) a vila das Russas, a povoação do
Limoeiro, a metade da cidade do Icó, uma terça parte da cidade do Crato, são
construídas da mesma maneira e assim todas as mais povoações e casas de campo
da província. A maior parte destas casas é construída sem ripas, em detrimento
das carnaúbas: repousando cada carreira de telha em um caibro, para que o
racham a carnaúba pelo meio, e fazem uma bica pela parte que tem de receber a
telha. Este modo de construção é sem duvida o mais simples e econômico; porém
empregam três terços mais de carnaúbas, do que seriam precisas usando-se as
ripas.
Parece que a carnaúba nesse gênero de emprego
se torna incorruptível, pois se tem tirado algumas empregadas há mais de cem
anos tão solidas como se fosse nova.
Madeira da carnaúba também se presta com
elegância para certas obras, como bengalas, e a marcenaria chamada do –
parquete. Lembra-me ter visto na exposição de Bellas Artes de Louvre, em 1838,
um rico piano todo incrustado com madeira de carnaúba.










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