Jornal do Ceará, de 20 de julho de 1904
EMPRESA FERRO CARRIL DA PORANGABA
Ontem as 3 horas da tarde foi pelos Srs. Afrodísio Gondim, Antônio
Gondim e Arlindo Gondim destituído da empresa Ferro Carril de Porangaba – o
nosso dedicado amigo Sindulfo Chaves que com muito critério e zelo exercia ali
há mais de 6 anos o lugar de Gerente.
Gerente e coproprietário da Empresa por morte do major Franklin Barbosa
Gondim que nele via um dos seus maiores amigos Sindulfo Chaves teve que
arrostar dificuldades inauditas para sustentar a Empresa que em diversas épocas
esteve prestes a cair.
Não obstante os seus esforços conhecidos do público os seus cunhados
desencadeavam sobre sua pessoa grande caudal de perseguição ao ponto de, fora
toda ordem e raciocínio são o Sr. Arlindo Gondim pretender com a força publica
destacada em Porangaba, seguida de um subdelegado ébrio arrancá-lo a gerencia e
a copropriedade da Empresa referido, no que foi repelido.
Antônio Gondim mancomunado com Arlindo Gondim requereu depois um
sequestro da Empresa, obtendo do juiz preparador a competente ordem contra
todos os preceitos e praxes jurídicas, falhando, porém em vista do recurso
reparador da arbitrariedade, tentado pelo nosso amigo perante o Juiz de Direito.
Nova investida fizeram os três Gondins e conseguiram no inventário
espoliar a Sindulfo Chaves que para o ato de partilha não foi intimado.
A
partilha foi julgada as carreiras!
Arlindo Gondim foi sócio da massa Gondim Montenegro & Comp. que
naufragou nesta praça; Antônio Gondim era qualquer coisa da massa e Afrodísio foi um dos que se arranjou regularmente, custando-lhe porém, esse arranjo a boa
vontade de Arlindo.
Sindulfo deixou a gerencia em vista de ordem do juiz, a requerimento dos
Srs. Gondim, sendo digno de nota que todos os Empregados sem exceção, se
demitiram da Empresa na mesma ocasião, abandonando os carros da linha.
São assim as coisa do Ceará!










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