Jornal A Constituição, 7 de novembro de 1867
LIMOEIRO 15 DE SETEMBRO DE 1867.
Cabe-nos
desta vez a honra de enviar para o seu jornal, Sr. Redator, esta missiva, que
contem a noticia importante dos fatos recentes deste termo, alias dignos de
serem registrados para que os nossos vindouros tenham deles ciência.
Sirvam, pois, estas poucas palavras de preambulo e vamos começar pelo –
FORO.
Vão muito mal os negócios forenses deste termo, por estar o foro
residido por uma aluvião de improvisados procuradores sem as necessárias
habilitações, e que se limitam apenas a requerer licença para proposição das
ações, e assinar um termo de responsabilidade para poder igualmente assinar os
articulados e mais atos judiciais, julgando-se assim competentes para medirem
suas forças intelectuais com os advogados, resultando dai uma balburdia de
todos os pecados, que por muitas vezes há tornado o mais insignificante caso
eterno pela protelação e chicana de que revestem.
Segundo a marcha que vão levando os negócios do foro deste termo, parece
que vai reviver a época do juiz Joaquim José Henriques com Trajano Delfino
Barbosa, época calamitosa a que se pode bem aplicar a sentença moral do padre
Antônio Vieira: - É regra geral, que quem quer muito a si, ou para si, quer
poucos aos outros, ou para os outros.
E esta outra: - Conforme a vontade quer assim acha. SE a vontade quer
favorecer acha merecimento em Judas; se a vontade quer condenar achará culpas
em Cristo!
O futuro tem de mostrar os frutos, que há de dar a árvore plantada e
regada por tais procuradores do foro de S. Bernardo, entre os quais um já foi
mandado processar pelo Dr. juiz de direito em consequência de um arresto raso
que fez nos animais de um pobre homem no Riacho de Santa Rosa, mas, que até
agora está contando a gloria da impunidade, por ter o juiz aquém foi dada a
ordem, posto uma pedra em cima desse processo; entretanto, que diz muito ufano,
que não faz conta do juiz de direito nem de mil processos que lhe mande
instaurar! Outro diz, que não faz conta
do catonismo do juiz de direito, e que está cag....muita m....para os processos que lhe
mande instaurar; entretanto que um e outro quando o Dr. juiz de direito vem a
S. Bernardo parecem dois cachorrinhos fraldeiros
pelos afagos, bajulações e genuflexões que lhe fazem; e mais ainda pelas
maneiras com que lhe vão contar caluniosamente faltas de outros, que eles, e só
eles tem cometido em grande escala.
Ao outro, apelidou-o por cachorro de curva, aludindo ter ele bom faro,
ou olfato, para curvar os matutos que entram em S. Bernardo com largente nos
bolsas.
Finalmente um outro critico, há poucos dias, disse em nossa presença,
que nas Russas existia uma companhia do tiro, semelhante as que em Pernambuco
vagueiam pelas ruas cruzando-se com o licito
fim de examinar os bolsos dos matutos.
Concluiremos este artigo com transcrever aqui o pensamento moral de um
escritor moderno, que diz: - O maior inimigo do magistrado é o que lhe pede uma
injustiça. – Sirva ele de sobreaviso para todos magistrados perante quem
requerer essa chusma de milhafres.










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