Jornal O Cearense, 22 de setembro de 1888


Perda Lamentável 

        Faleceu no dia 4 do corrente o tenente coronel Manoel Herculino da Cunha, fazendeiro bem conhecido nesta província e fora dela.

        Pode dizer-se que desapareceu de entre os vivos o criador que representava sua classe na Zona do Jaguaribe.

       Tinha diversas fazendas situadas, fixava porém sua residência na denominada Boqueirão, 25 léguas distante da cidade do Aracati e outras tantas do Icó.

       Os relevantes serviços que cotidianamente prestava aos viajantes naquela estrada o tornavam credor da estima de todos que o conheciam.

       Notava-se, porém, em seu gênio hospitaleiro e filantrópico uma qualidade bem rara no século presente e era o seguinte:

       Assim como hospedava as pessoas gradas, suprindo-as, quando havia necessidade de cavalos, burros ou arreios do mesmo modo se prestava ao pobre carreiro, comboieiros, etc, etc.

       A estes últimos serviu muitas vezes com sua bolsa ou lhe fornecendo viveres para continuarem sua viagem.

       Na vizinhança de algumas léguas era sua casa o alvo dos necessitados.

       Ali ia o criador, no momento critico encontrar auxilio; o pequeno lenitivo a seus embaraços e o miserável a mão sempre caridosa.

      Como politico militou sempre nas fileiras liberais; há anos, porém deixou de tomar parte nos pleitos eleitorais, por motivo que ignoro.

      De seu primeiro consorcio deixou 4 filhos, sendo 3 homens e uma senhora; do segundo, porém existem 13, cinco do sexo masculino e oito do feminino.

      A sua inconsolável esposa a Exmª Senhora Salviana Herculina Maia e sua família, especialmente a seus filhos José Herculino da Cunha; Felinto Herculino da Cunha; Leôncio Herculino da Cunha; Alípio Herculino da Cunha e o seu cunhado José Ferreira da Silva Maia, dou os meus sinceros pêsames.

                              Aracaty, 10 de setembro de 1888

                              Antônio de Pontes Fiuza Lima


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