Jornal A Razão, 15 de abril de 1937
O SERVIÇO DE IRRIGAÇÃO NO CEARÁ
As
“Realizações” Desse Departamento – Fantasma Dos Agricultores – Administrador
Atrabiliário – A Sorte Dos Trabalhadores Do Serviço – Passando Fome E Sofrendo
Perseguições – Um Chefe Amigo Dos Operários – O Integralismo No Limoeiro.
Achando-se nesta capital o nosso amigo João de Sena
Filho, um dos elementos mais entusiastas das fileiras do Integralismo do Núcleo
de Jaguaribe-Mirim e que esteve a pouco em Limoeiro, onde demorou cerca de dois
meses, na qualidade de funcionário da turma de Topografia do Serviço de
Irrigação, procuramos ouvi-lo, sendo prontamente atendidos.
- Que nos diz sobre esse tal de Serviço de Irrigação.
Parece que isso é coisa para Inglês ver?...
- Perfeitamente! De irrigação só existe o nome. Só temos
lavoura quando há inverno e nota-se que já estamos no quarto ano que o serviço
foi fundado.
No campo de Limoeiro foi construída uma parte do canal
principal e esta mesma tem que ser destruída, em virtude das falhas existentes.
- E esse serviço efetuou-se sobre a direção de
engenheiros?
- Sim. Esteve sobre a direção de vários, porém, o que
mais concorreu para as tais falhas foi o agrônomo e bacharel Audísio Gurgel de
Almeida.
- E os proprietários estão satisfeitos com o contrato
firmado pelo serviço?
- Não. E nem podiam estar. Uma vez que o tal contrato
nunca foi respeitado. O contrato em apreço consistia no seguinte: a cultivação
e irrigação das terras, pagando o proprietário uma percentagem de 35% da
colheita.
Não obstante isso, os agricultores só tem safra quando
chove e o Serviço de Irrigação cobra indevidamente a referida percentagem.
De forma que a irrigação no Vale do Jaguaribe está
transformada num fantasma para os agricultores?
- Não só dos agricultores como dos operários que tiveram
a infelicidade de trabalhar no referido serviço.
O campo vive entregue a um administrador atrabiliário.
Esse cidadão comete toda sorte de arbitrariedades, não só invadindo as
propriedades que não pertencem ao campo, como por igual, perseguindo os
operários, os quais estão vez por outras sendo dispensados injustamente.
Ultimamente deu um empreitada aos trabalhadores para
transportarem terra numa distancia de 600 metros, determinando que cada
operário transportasse 50 carrinhos. Cada trabalhador, desta forma tinha que
andar 10 léguas diariamente!
- E quanto ganham esses operários?
- 3.333 reis por dia, sendo que em virtude do atraso de
pagamentos, compram no fornecimento, pagando uma percentagem de 20%, ficando
assim reduzido o salario a 2.667.
- E como vive essa gente?
- Comendo feijão podre uma vez por dia, isto é, seria bom
se isso se verificasse durante os 30 dias do mês. Infelizmente, isso não
acontece. Três dias esses infortunados e bravos caboclos jaguaribanos passam de
boca amarrada, enquanto os donos da irrigação vivem a tripa forra.
- E que nos diz sobre a turma da Topografia onde você
trabalha?
- Esta turma é dirigida por um moço digno e consciencioso
o engenheiro topografo Francisco Rodrigues de Almeida querido e estimado por
todos. Isso se verifica graças aos seus princípios de educação e mentalidade.
Nos serviços públicos é geral a aversão do operário ao
chefe. Com o Dr. Francisco de Almeida dá-se justamente ao contrario. Os
operários todos eles estimam o seu chefe.
Alias isso não é para se admirar. O Dr. Almeida é
Integralista e como tal ele não está fazendo mais do que pondo em pratica os
princípios básicos do grande movimento de salvação do proletário.
- E o Integralismo em Limoeiro?
- O Integralismo na terra do padre Valdivino Nogueira
atravessa uma fase de franco desenvolvimento, graças a atuação dinâmica e
abnegada do chefe Municipal Franklin Chaves, coadjuvado pela inteligência
esclarecida do Dr. Francisco de Almeida.
Franklin Chaves que é Chefe Regional tem dado um impulso
ao movimento na Zona do Jaguaribe, onde aquele moço goza de largo e merecido
conceito.
O que mais se destaca no chefe limoeirense é a sua
ponderação, pesando bem os casos e prevendo os acontecimentos.
É um chefe a altura do movimento, Dinâmico, inteligente,
operoso e esclarecido.










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