Dr. Dioclecio Lima Verde do Limoeiro - Janeiro de 1932
Dr. Dioclecio Lima Verde
Encontra-se nesta capital, há dias o Dr. Dioclecio Lima Verde médico
residente em Limoeiro.
Este facultativo conterrâneo vem a
Fortaleza tratar do recebimento de um premio que obteve nos sorteios da empresa
“Edificadora do Norte Ltda.”
Em se apresentando ao escritório da
empresa para receber a importância de 10:000$000 contos de reis, o que tinha
direito como prestamista contemplado no último sorteio da Edificadora plano série
B., o Dr. Lima Verde ao que disse a um dos nossos companheiros anteontem a
tarde, ouviu de alguém da mesma sociedade que não poderia ser pago o premio.
As razões desta recusa, segundo ainda as
declarações daquele médico, não são justas nem favoráveis ao nome da citada
empresa.
A vista de tão grave irregularidade,
seria conveniente que o zeloso Sr. Delegado fiscal volvesse suas vistas e
criteriosa ação para o funcionamento de negócios daquela espécie. Consta que o
Dr. Lima Verde vai constituir advogado para defender os seus interesses o Dr.
Dolor Uchoa Barreira. (Jornal Nação, 13 de janeiro de 1932).
Os Tais Negócios de Sorteios
Pessimismo de um médico sobre as transações de uma dessas empresas
Em
edição recente publicamos as declarações que nos fez o médico cearense Dr. Dioclecio Lima Verde a proposito dos
maus negócios que via diante de si em relação aos compromissos que tinha e tem
consigo a empresa de sorteios “Edificadora do Norte Ltda.”
Dissemos
de então de acordo com as declarações que nos fez o mesmo Facultativo, que S.
Sa. Sendo prestamista daquela empresa, e tendo o seu titulo sorteado, deixara
de recebe-lo a vista das dificuldades financeiras com que a mesmo ora está
lutando, o que ora acrescenta o mesmo.
É que o Dr. Lima verde, após uma
viagem que fez ao interior, veio novamente a Fortaleza, constatando aqui a
impossibilidade de receber o premio obtido pelo titulo de que é portador.
Ontem o Dr. Lima Verde retornou ao
sertão em vista de mais uma vez terem falhado os esforços que empregou para
receber o dinheiro que lhe coubera nos sorteios da Edificadora do Norte.
É em vista disso que voltamos a
solicitar do honrado Sr. Delegado fiscal, Dr. Humberto de Oliveira, que S. Sa.
Volte suas atenções para a falta de escrúpulos das companhias de sorteios que
operam neste Estado.
Antes de embarcar, o Dr. Lima Verde
dirigiu a um dos auxiliares desta folha o seguinte recado:
De saída para Limoeiro deixo aqui os
agradecimentos pelo interesse que tem tomado por minha causa.
O meu caso ainda não foi resolvido e
deixo tudo entregue a idoneidade profissional do Dr. Dolor Barreiro.
Sou sempre pessimista com os
negócios da tal companhia que em má hora me pegou para seu prestamista.
Vou aguardar o resultado da questão em Limoeiro.
Seu amigo e criado
Dr. Lima Verde
Fortaleza,
19 de janeiro de 1932
(Jornal
Nação, de 23 de janeiro de 1932).
Os Tais Negócios de Sorteios
Sob o titulo encima estas linhas na
edição de 22 deste declarações que nos prestou, por carta, após outras verbais,
divulgadas anteriormente, do Dr. Dioclecio Lima Verde, médico residente em
Limoeiro, a proposito de uma burla de que fora vitima – segundo dizia – da
Edificadora do Norte, companhia de sorteios que funciona nesta capital.
Naquele mesmo dia recebemos uma
carta do presidente da mesma Empresa, contendo explicações sobre o caso, e que
deixamos de publicar por absoluta falta de espaço.
Como a carta já foi publicada na
seção paga de outros jornais parece estar colhido os objetivos da mesma e
apenas voltamos ao assunto para esclarecer que o nosso intuito foi acolher as
reclamações de um cidadão que recorreu ao nosso auxilio para defender-se num
negocio que se viu lesado.
As explicações da carta referida não
destruíram ainda as declarações do Dr. Lima Verde, pois o mesmo está apto e
documentado para provar que em verdade a companhia deixou de cumprir os seus
compromissos, deixando de respeitar os direitos de um seu comitente, e tanto
isso é verdade, que o prejudicado constituiu seu advogado Dr. Dolor Barreira
para defender seus direitos e interesse.
Que o Dr. Lima Verde procurou a
empresa para liquidar seu titulo premiado e não pago, embora perfeitamente em
dia nas prestações, é uma verdade não cabendo a afirmativa em contrario.
No mais, o caso nem de longe nos
interessa, desde que registramos simplesmente as declarações de um leitor desta
folha, com a indicação mesmo desse caráter na noticia.
Se a empresa deixou de liquidar em
ordem o negócio, por este ou aquele motivo, isso não é conosco, e sim com os
seus prestamistas.
(Jornal
Nação, de 26 de janeiro de 1932).
“Nação” em juízo
Pelo o advogado Elias
de Oliveira, como procurador da “Edificadora do Norte Ltda.”, foi requerido no
foro da comarca desta capital a citação desse jornal para comparecer em juízo,
na 1ª vara municipal.
Motivou a citação o pedido feito por
aquele advogado, da exibição de autógrafos de publicações feitas nesta folha,
sob a responsabilidade de terceiros, contra a referida empresa de sorteios,
acusada a principio, de burlar a lei federal da fiscalização bancária e por
último, de sonegar o pagamento de um premio a seu comitente, no caso o Dr.
Dioclecio Lima Verde do Limoeiro.
Com referencia a este último caso,
já está noticiado que o comitente prejudicado constituiu seu advogado o Dr.
Dolor Barreira para compelir a empresa a cumprir os seus compromissos, pelos
meios judiciais.
A audiência de citação desse jornal
realizou-se ontem as 12 horas, havendo comparecido a mesma o nosso redator
Vicente Medeiros a fim de cumprir formalidades de praxe. (Jornal Nação, 29 de
janeiro de 1932).










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