Limoeiro, 6 de setembro de 1911
De José Osterne Ferreira Maia:
Manoel
Carneiro da Silva casado com Maria da Conceição da Silva era amigo devotado.
Seu coração guardava a prova do beneficio recebido para o momento oportuno da
sinceridade do afeto. Sua alma então expandia-se nobre generosa. Era a hora
feliz da sua existência...
A
exibição não tinha, nem nunca teria acesso a sua posição social.
De
sua passagem na vida deixa indelével recordação, que mais avulta quanto mais
nobre e admirável era a modéstia em que ocultava as grandes magnificas
qualidades de seu caráter de seu coração de sua alma.
Viera
cansado de um longo esforço de 26 anos nas selvagens plagas do Aquiry,
descansar na terra do berço amigo e mal sabia que poucos dias lhe estavam
reservados as caricias do lar e ao convívio dos amigos.
A
terra do berço o reclamava...Bem pouco nela vivera quem ainda criança lá se
fora em busca da própria vida e voltava agora depois de ter conquistado valiosa
independência, para nela dormir o ultimo sono.
As
pétalas da saudade que se desfolham sobre um túmulo em terra amiga, tem algo de
gratidão à própria morte...
O
sudário que cobre as cinzas na terra da pátria, deve ser mais leve e mais grato
ao próprio morto...
E as
aspersões da aurora se pudesse cristalizar, encontrariam na pureza das lagrimas
que brotam no coração – a própria força de condensação – para formarem a lápide
que se inscreveria o nome de quem trocando por ilusões em terra estranha os
dias da juventude, veio repousar no túmulo que lhe fora berço.
Dorme
em paz amigo...
E os
leques dos carnaubais das várzeas extensas onde brincastes criança, contem no
ciciar das brisas que passam generosas sobre teu derradeiro leito a história
plangente da saudade que deixastes.










0 Response to "Limoeiro, 6 de setembro de 1911"
Postar um comentário