Limoeiro, 12 de março de 1906

                                                        Tribuna do povo

                         Ao Exmº Sr. D. Joaquim José Vieira e ao público

     Lendo o jornal do Ceará de 17 do mês transato, deparou sê-me um oficio assinado 
pelo Sr. Serafim Tolentino Freire Chaves, sob a epigrafe – Secretária das Comissões do 
alistamento eleitoral do Município de Limoeiro, com a data de 8 de fevereiro, no qual me 
acusava de ter eu deixado em poder do Sr. Luiz Brasiliense, antes de sair para o retiro 
espiritual do clero, pois antedatados com as palavras – Ita in fide parochi (então, pastor 
de boa fé), para que o meu escrivão Paroquial coronel José Nunes Guerreiro desse 
certidões para fins eleitorais.

Para salvaguardar a minha honra e dignidade, apresso-me em declarar não ser verdade o que afirma o Sr. Serafim Chaves, o que provo com os documentos infra publicados.

            Quer agora o público saber o motivo por que o Sr. Serafim Chaves procura me difamar?

É porque sou amigo dedicado do benemérito Dr. Antônio Pinto Nogueira Accioly, conspícuo e eminente Governador do Estado.

Continue o Sr. Serafim na faina inglória de manchar a minha reputação, ciente de que as suas diatribes jamais abateram o meu caráter e a minha altivez.

A justiça de Deus tarda, mas não falha.

        Hodie mihi, cras tibe (Hoje eu, amanhã você está vivendo).

.         Seguem os documentos:

Limoeiro 12 de março de 1906.

Ilmº Sr. Tenente-Coronel Luiz Brasiliense de Hollanda Cavalcante.

Tendo o jornal do Ceará de 17 de fevereiro do corrente ano, um ofício assinado pelo Sr. Serafim Tolentino Freire Chaves, no qual o referido senhor dissera ter eu deixado em vosso poder, quando sai para o retiro espiritual do clero, papeis em branco antedatados com as palavras – Ita in fide Parochi, para que o escrivão Paroquial Coronel José Nunes Guerreiro desse certidões para fins eleitorais e desejando eu salvaguardar a minha honra de tal imputação, peço obséquio de atestar ao pé desta si é verdade o que afirmou o Sr. Serafim Chaves.

Peço permissão para fazer de sua resposta o uso que me convier.

De V. S. amigo e criado obrigadíssimo padre Antônio Pereira da Graça Martins – vigário de Limoeiro.

Atestando o que pode S. Revmª. com as palavras Ita in fide Parochi; pois quanto ao fato do jornal do Ceará de 17 de fevereiro do corrente ter feito aquela imputação a minha individualidade e a V. Revmª., creio que partira mesmo da cabeça do assinatário do mesmo artigo, que procura lançar mão de tudo que o seu cérebro enfraquecido imagina para perturbar a ordem politica deste município; podendo se dizer sem querer negar a verdade que o fim exclusivo dele é querer e ser um continuador das teorias de Machiavel.

Poderá V. Revmª. fazer desse meu documento o uso que lhe convier.

Limoeiro 12 de março de 1906.

Luiz Brasiliense de Hollanda Cavalcante

 

Ilmº Sr. José Nunes Guerreiro, M. D. Escrivão Paroquial.

Tendo o jornal do Ceará de 17 de fevereiro do ano corrente, publicado um oficio do Sr. Serafim Tolentino Freire Chaves, em o qual referido o Sr. declarou ter eu deixado em poder do Sr. Luiz Brasiliense, papel antedatados com as palavras – Ita infide Parochi, para que S. S. desse certidões e desejando eu salvar minha honra de tal imputação, peço para S. S. atestar ao pé desta se recebeu do Sr. Brasiliense os papeis de que falou o Sr. Serafim Chaves. Peço permissão para fazer de sua resposta o uso que me convier.

                                                                                                           De S. S.ª.

Ilmº. e criado obrigadíssimo padre Graça Martins.

Atesto que não recebi do Sr. Luiz Brasiliense os papeis de que trata o Sr. Serafim em seu oficio publicado no jornal do Ceará de 17 de fev. ultimo; o que se pode verificar de todos os papeis concernentes ao alistamento eleitoral, existentes em poder do escrivão interino do judicial, Alcebíades Gurgel de Moura; podendo S. Revmª. fazer de minha resposta o uso que lhe convier.

Limoeiro, 12 de março de 1906.

O Escrivão Paroquial.

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