Jornal A República, 2 de junho de 1897
Limoeiro:
Vitima de uma Jararaca, faleceu na sua fazenda Bom Jesus, no
dia 17 do corrente, o nosso prestimoso e dedicado amigo Antônio Nunes Guerreiro
Filho, deixando na orfandade 6 filhos.
Faltaria ao dever sagrado de amigo, não seria leal aos
ditames de minha consciência, trairia aos sentimentos de que me acho possuído e
seria um ingrato, se não viesse a imprensa descrever as eximias qualidades que possuía
aquele emérito cidadão, roubado tão cedo a carinhosa e virtuosa esposa, que
idolatrava, aos tenros filhos que nele viam o seu risonho futuro, ao pai,
sogro, irmãos e cunhados, que nele reconheciam a honra da família, aos amigos,
que o admiravam e a sociedade que perdeu um de seus mais salientes consócios!
Contava 48 anos de idade,
deixou uma fortuna regular, adquirida a custa de assíduos esforços lícitos e
escrupulosamente empregados na orbita da pureza e da sua consciência.
Dispunha dos mais líquidos
sentimentos humanitários, era o atleta do bem, o protótipo da prudência, o
emblema da generosidade, o arrimo do pobre, o amparo da viúva, o esteio da
fraca, o protetor do órfão.
Sua modesta, sua singeleza,
seu caráter intransigente, sua moderação, seu procedimento correto, a grandeza
de sua alma e a honestidade com que plantava suas ações provavam inconcussamente
quem era Antônio Nunes Guerreiro Filho!!
As suas exéquias
compareceram todas as camadas sociais, cujas fisionomias via-se o cunho do
sentimento dominante, na lúgubre viagem as bordas do tumulo.
Pêsames a família, especialmente
a inditosa viúva Exmª. D. Maria Aridina de Sousa Vidal Nunes, aos nossos
amigos, seus veneráveis pais e sogro, major José Vidal Maciel e Antônio Nunes
Guerreiro e a seus irmãos e cunhados José Nunes Guerreiro, Joaquim Nunes
Guerreiro, Francisco Nunes Guerreiro, João Nunes Guerreiro, Manoel Nunes
Guerreiro, Miguel Nunes Guerreiro, Vicente Nunes Guerreiro, Francisco Xavier de Souza Vidal, Antônio Lopes de Souza
Vidal, José Tertuliano de Souza Vidal.
Limoeiro, 22 de maio de
1897.










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