Jornal A Razão, 29 de agosto de 1936
SOBRE A FÚRIA DEVORADORA DAS CHAMAS.
Parcialmente, Destruída Por Um Incêndio A Fábrica De Óleo
De Oiticica Dos Srs. Chaves & Santiago.
O Sino da Matriz Anunciou Incessantemente o Incêndio
Limoeiro as primeiras horas da madrugada de hoje, despertou ao som metálico do sino que anunciava incêndio, num badalar continuo e aritmético. Ouvia-se na direção da fábrica de óleo de oiticica Chaves & Santiago, gritos de alarme e correrias: era grande o número de pessoas que a aquele local se dirigia para, a medida dos seus esforços ampararem a situação angustiosa provocada pelo incêndio que já endereçava aos lares vizinhos, ameaçados de chamas iminentes, numa voragem assustadora. Expostos no leito da rua viam-se sacos, móveis e gente em desconcertante desalinho. Os irmãos Chaves, auxiliados por jornaleiros, amigos e estranhos, com absoluto destemor destelharam os armazéns contíguos, isolando-os, o que tudo se processou com disciplina e ordem, embora, também, muitas vezes, ameaçados por nuvens compactas de fumaça, cuja cessação mais recrudescia o desejo visível de dominar o fogo avassalador. Foram distribuídas inúmeras latas que em mão dos bombeiros de emergência, cujo amianto que os revestiam era a própria água; lançavam-na, a todo o pano de sobre o telhado danificado, por cima das sementes que ardiam num desespero impressionante. Já, às sete horas as chamas cediam, diminuindo os horrores das perspectivas, enquanto os torvelinhos de fumaça aumentavam em todas as direções e, não raro, os trabalhadores não se divisavam entre si. Ainda às dezesseis horas, quando estou rascunhando essas linhas, uma turma de quase 100 homens continua sem cessar, prestando seus inestimáveis serviços àqueles proprietários e aos próprios habitantes da cidade, a remover, derribar e concertar portas, mobiliários e mais pertencentes da própria fábrica. Felizmente as máquinas não foram danificadas pelo sinistro, tendo, no entanto, sido queimado um metro de semente de profundidade em dois armazéns contíguos, um de vinte por oito metros e outros de dez por seis e cinquenta. A referida fábrica não estava no seguro, não se precisando até essa hora, o motivo que dava lugar ao referido incêndio. A resistência com que foi procedido o apagamento do fogo diminui sensivelmente as possibilidades de avultado prejuízo, estimado em 50 contos – valor real – correspondente ao duplo, atualmente. Os serviços recomeçarão dentro de poucos dias, pois existem três armazéns intactos e as máquinas estão perfeitas.
Limoeiro, 26 de agosto de
1936.










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