jornal A Razão, 15 de dezembro 1936

                                                            VIDA MUNICIPAL

Primeiras Missas Solenes Em Limoeiro

Limoeiro vibra de entusiasmo por ocasião das missas novas dos padres Macário Maia e Misael Alves de Sousa

Os dias 8 e 9 desse mês foram para Limoeiro, a progressista rainha da zona jaguaribana, de intenso e festivo jubilo. É que a população limoeirense via, cheia de entusiasmo, dois filhos seus galgarem a montanha do sacerdócio.

Na segunda feira 7, em meio ao estrugir de girandolas de foguetes, aos aplausos e harmonia da música, chegaram a Limoeiro os dois jovens neo-presbiteros acompanhados de numerosa comitiva. Fez a saudação de boas vindas o Sr. José Osterne Filho (foto), abastado comerciante local. Agradeceu em rápidas e ternas palavras o Rvd. Pe. Misael Alves de Sousa.

A manhã de 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, padroeira da Paróquia, raiou esplendorosa. Dos mais recônditos recantos da paróquia ocorriam inúmeras pessoas que vinham homenagear os neossacerdotes e assistir as cerimonias religiosas, revestidas de tão grande esplendor.

As 7 e ½ horas da manhã, grande massa popular acompanhou os sacerdotes devidamente paramentados que se dirigiram processionalmente, entre alas das confrarias religiosas, da residência do rvd.. Pe. Macário Maia a igreja Matriz. Entoado o “Veni-Creator”, o rvd. Pe. Macário cantou sua primeira missa solene, servido como presbítero-assistente o rvd. Pe. Edgar Saraiva Leão, diácono o rvd. Pe. Misael Alves e o subdiácono o rev. Pe. Jonas Lima Barros.

Ao evangelho, o já renomado orador sacro, rvd. Pe. Fco de Assis Portela fez o panegirico, com rara felicidade, exaltando Maria e o sacerdócio. Ao “Lavabo” serviram de paraninfo os Srs. Pedro Celestino de Freitas e Raimundo Remígio de Freitas.

A cerimonia litúrgica, assistida por incomputável multidão, seguiu-se o beija-mão do novo sacerdote.

As 5 horas da tarde realizou-se a procissão da padroeira da paroquia, figurando, nas alas extensas, pessoas exclusivamente trajadas de branco. Organizou o grandioso préstito o zeloso vigário de Limoeiro, rvd. Pe. Fco. Portela. Oficiaram os mesmos sacerdotes das cerimonias matutinas.

Na residência do Sr. João Maria de Freitas e sua Exmª. esposa Dª. Maria Idalina de Freitas, progenitores do neo-presbitero Mario Maia de Freitas, foi oferecido um laudo almoço aos parentes e amigos. “Au dessert” fizeram brindes o rvd. Pe. Jonas Lima de Barros, Mons. Otavio de Castro, rev. Pe. Edgar Saraiva Leão e o seminarista Amarilio Rodrigues.

                              Missa Nova do Pe. Misael Alves de Sousa

O dia 9 foi escolhido pelo Rev. Pe. Misael para celebrar sua primeira missa cantada. Apesar de ser dia útil, foi incomputável a multidão que compareceu as solenidades. Teve o Ver. Pe. Misael, como presbítero assistente, o ex-vigário de Limoeiro, Ver. Pe. Edgar Saraiva Leão. Serviram como diácono o Rvd. Pe. Macário Maia e subdiácono o Rvd. Pe. Aluísio Ferreira Lima. Paraninfaram o neossacerdote os Srs. Custodio Saraiva e Hermínio Lopes.

Ocupou a tribuna sagrada para exaltar a sublimidade do sacerdócio e dirigiu palavras de incitamento ao novo levita o Ver. Mons. Otávio de Castro e Silva. Depois do beija-mão, foram os sacerdotes acompanhados pelo povo, ao som da harmoniosa banda de música local, até a residência do Sr. Custodio Saraiva, onde foi servida a todos os presentes uma taça de champanhe.

 As 12 horas foi oferecido um banquete as pessoas convidadas, fazendo uso da palavra por essa ocasião o Revmº. Mons. Otávio de Castro exaltando os sentimentos católicos do povo limoeirense, ressaltando o exemplo da família Saraiva que tão carinhosamente contribuiu para a formação do novo sacerdote. O Ver. Pe. Aluísio Ferreira Lima em nome da paroquia de Morada Nova, o Sr. Hercílio Costa solicitando as orações do neo-presbítero para a consecução dos alevantados ideais do povo de Limoeiro e o clérigo Alberto Ramos, representando o Seminário de Fortaleza. Em palavras ternas de comoção, o rev. Pe. Misael agradeceu aquela manifestação dos seus amigos e parentes.

As 6:30 horas da tarde, com grande solenidade foi cantada, “Te – Deum” em ação de graças.

As cerimonias litúrgicas foram realçadas por um harmonioso coro, acompanhado a orquestra dirigida pelo exímio maestro Odílio Silva.

No dia 9, noite, Limoeiro prestou uma grandiosa manifestação aos dois novos levitas, promovendo um festival no Cine-Teatro Moderno, em que foram ouvidos vários números de declamação, música e encenados belíssimos quadros-vivos.

O Sr. João Maria de Freitas, mostrou em palavras repassadas de sinceridade e singeleza, a sua imensa satisfação por ver um seu filho elevado à dignidade sem par do sacerdócio. Em seguida, o Revmº. Pe. Macário Maia de Freitas, em seu e no nome de seu colega, agradeceu ao povo seu conterrâneo o carinho e solenidade com que se revestiram as solenidades de suas missas novas. 

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

0 Response to "jornal A Razão, 15 de dezembro 1936"

Postar um comentário