Jornal A razão em junho de 1929

                                                     

         Cândido da Costa Gadelha - O jornal A razão em junho de 1929 divulgou por vários dias seguidos a morte do cel. José Fernandes Medeiros pelos criminosos irmãos Wanderley no Estado da Paraíba, o primeiro tinha 18 e o segundo 21 anos de idade.

O dito jornal fez uma grande entrevista com o filho do finado Dr. Fernandes Medeiros, que se envolveu demais na busca pelos criminosos.

O Sr. Cândido Gadelha tendo lido o nº da ‘A Razão’ que estampara a entrevista do Dr. Fernandes, ficou ao que parece impressionado com o fato.

Quase na mesma data, passava naquela cidade um grupo de 3 indivíduos, procedentes do Rio Grande do Norte e o Sr. Candido Gadelha, julgando tratar-se dos criminosos a que se referira este jornal, transmitiu o seguinte telegrama ao Dr. Fernando de Medeiros:

Limoeiro 29 – Conforme sua entrevista a “A Razão” comunico que passaram por este município vindo do Rio Grande do Norte, três indivíduos, suspeitos criminosos. Seguem giro Quixadá.

De posse do telegrama, o Dr. Fernandes Medeiros procurou o Dr. Mozart Catunda Gondim, Secretário da Policia e seguranças pública a quem mostrou.

O Dr. Mozart Catunda telegrafou logo para o delegado de polícia do Limoeiro, recomendando-lhe procedesse à imediata diligencia sobre os referidos indivíduos suspeitos.

No mesmo dia o Dr. Fernandes Medeiros enviou ao Sr. Cândido Gadelha o seguinte despacho:

Cel. Candido Gadelha

Limoeiro

Grato bondoso cidadão comunicação acaba de fazer-me, peço simultaneamente seu valioso auxilio esclarecimentos possíveis delegado de policia ai, a quem Secretária de policia acaba de telegrafar recomendando expedição diligência capturar bárbaros assassinos de meu pai.

                          Saudações

                  Fernandes Medeiros

 Limoeiro, 30 – Supostos criminosos que penetraram no dia 24 neste município montados, conduziam armas curtas, cartucheiras, coronas cheias, não conduziam redes e indagando sobre força e dizendo seguirem para Canindé. É três, um caboclo. Delegado segue capturar. Aqui ao seu inteiro dispor.

                   Cândido Gadelha

No dia 31 chegou às mãos do Dr. Fernandes Medeiros um despacho mais elucidativo, nos seguintes termos;

 

Dr. Fernandes Medeiros

                           Fortaleza

Limoeiro, 31 – Dentista Motta, natural da Paraíba, atualmente em Taboleiro de Areia, diz ter conhecido Wanderley, quando de sua passagem ali.

Qualquer notícia avisarei.

                      Cândido Gadelha

Este ultimo despacho veio a tirar qualquer dúvida, que, porventura ainda existisse sobre se se tratava realmente dos matadores do cel. José Fernandes.

Pronta e eficiente intervenção do Secretario de Policia.

Desde a primeira notícia recebida pelo Dr. Fernandes Medeiros, a qual foi comunicada ao Sr. Dr. Mozart Catunda tomou imediatas e eficientes providencias para evitar fuga dos bandidos.

Para Quixadá, para onde se julgava a começo que rumavam os criminosos, foi enviada uma diligência, sob o comando do inspetor Simão.

Os trabalhos de perseguição aos assassinos eram realizados com segurança, sendo o Secretário de policia informado constantemente do que ocorria.

Assim é que no dia 2 de junho corrente, domingo último, recebeu de Morada Nova um telegrama de diligência que partira do Limoeiro, informado que os criminosos estavam homiziados no lugar Choró, na Fazenda Várzea da Funda, propriedade de João Euzébio.

Confirmando essa notícia, recebeu o Dr. Fernandes Medeiros, na tarde daquele dia, o seguinte telegrama:

                              Dr. Fernandes Medeiros

                                          Fortaleza.

Limoeiro, 2 – Delegado de Morada Nova informa criminosos estarem em Choró, em casa de João Euzébio. Convém seguir força via Baturité.

                                 Cândido Gadelha.

As 7 horas da noite, domingo último, o Dr. Fernandes Medeiros levou este despacho telegráfico ao Dr. Mozart Catunda Gondim, que o informou que já tivera idêntica notícia, enviando com urgência, para ali, via Aracoyaba, um contingente de 25 praças da força policial, sob o comando do tenente José Bezerra, o qual partira em trem expresso as 6 horas da tarde.

Fazia-se entretanto, necessário guardar absoluto sigilo sobre o envio dessa força, a fim que não fosse prejudicada a ação da policia. 

     O Cerco Da Casa Onde Se Achavam Os Bandidos.

Chegando a Aracoyaba depois de 8 horas da noite, o tenente José Bezerra seguiu, com a força, em marcha forçada para o Choró, que dista 4 léguas daquela vila.

Em Choró, a força dirigiu-se para o local onde se achavam homiziados os bandidos.

As 6 horas da manhã de segunda feira última, a casa estava cercada e o tenente José Bezerra intimou os criminosos a render-se.

                        Renhido Tiroteio

A intimação daquele oficial foi respondida a bala, travando-se renhido tiroteio.

Os irmãos Wanderley, João Euzébio e um seu filho, bem municiados entrincheiram-se no sótão da casa, de onde alvejavam com nutrida fuzilaria a força policial, que ficava em desvantagem, visto lutar em campo raso, a descoberta.

Depois de mais de 3 horas de fogo, começando a escassear a munição da força e já tendo perdido 2 soldados, além de contar feridos, o tenente José Bezerra pediu reforço.

A Partida Do Reforço

Imediatamente o Dr. Mozart Catunda providenciou sobre a partida do reforço pedido.

As 12 horas anteontem, partiu da Central do Baturité, com destino a Aracoyaba, um trolymotor da R.V.C. conduzindo 9 praças e 2 cunhetes de balas.

Duas horas depois, partiu um expresso, levando 21 praças, sob o comando do tenente Leite.

A Luta Continua Sem Tréguas

Em Várzea da Funda a luta continuava encarniçada, oferendo os bandidos toda a resistência.

Depois de 7 horas de tiroteio, isto é, cerca de uma hora da tarde, os criminosos começam a afrouxar a resistência, não só por terem feridos, como porque estava muito reduzida a munição.

A Força Penetra Na Casa

         Notando que os bandidos estavam enfraquecidos, o tenente José Bezerra aproximou-se da casa e nela conseguiu penetrar com os seus soldados.

         Do sótão ainda partiam alguns tiros. O combate prolongou-se por alguns minutos.

            Ali só se encontrava Cazuza Wanderley. Os demais tinham fugidos.

Cazuza Wanderley prometeu render-se, mas, a aproximação da força do lugar em que se encontrava, reagiu e trocaram-se, então, mais diversos tiros, caindo morto aquele criminoso.

O tenente Leite foi incumbido de perseguir os criminosos que se evadiram, sendo eles: Prudente Wanderley, ferido levemente na cabeça, João Euzébio e um filho deste, com ferimento leve na omoplata.

Os Mortos

Foram mortos 3 soldados e o criminoso Cazuza Wanderley e dois feridos, um na cabeça e outro na perna. Este que foi ferido na cabeça morreu horas depois.

Foi Preso o Guia Dos Criminosos

O Dr. Fernando de Medeiros recebeu ontem, o seguinte telegrama:

Limoeiro, 3 – O guia dos criminosos, preso aqui, declarou ter vindo entregar ditos a Euzébio no Choró, por ordem do major Migas Veras. Em poder do guia encontramos carta de Euzébio para Migas, declarando ter recebido “encomenda”, que tendo entendimento com Cerelino, chefe em Aracoyaba, podia ficar descansado.

O tenente Leito alcançou um dos fugitivos distante 4 léguas de Aracoyaba. Tratava-se do Caboclo que, ferido na omoplata ficara para trás. O tenente Leite o intimou para render-se, o mesmo reagiu, em consequência dessa reação perdeu a vida. O estado do corpo do Caboclo era horripilante, em virtude dos inúmeros ferimentos nele produzido por balas e facadas.

Espera-se que logo a força do tenente Leite consiga encontrar João Euzébio e o seu filho.

O jornal do dia 7 de junho noticiou que o tenente Leite havia prendido o filho de João Euzébio, de nome Pedro Euzébio, gravemente ferido, falecendo horas depois.

 

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