Jornal do Ceará, 20 de maio de 1904
UM
BÁRBARO COM A MANIA DE PREPONDERANCIA
O público da minha terra já leu, em alguns
números do patriótico Jornal do Ceará,
do mês pretérito, os substanciosos artigos firmados pelo nome simpático de
Theophilo Bezerra Filho, que se ocupando das eleições em Soure, mostraram o
indigno proceder do Correia do Soure, a personificação da selvageria, que
chegou ao extremo de custodiado par imbecis capangas armados, pretender de
revolver em punho, atacar a casa do integro Padre Climério Chaves,
virtuosíssimo pároco da vila de Soure, quando ai se achavam, depois de
terminado os trabalhosa da eleição, em animada e cavalheirosa palestra, cidadãos
distintos que pela limpidez de sua fé de oficio, fazem fugir para o esconderijo
das trevas os espíritos vendidos que não resistem a incidência da luz.
Preciso de conhecer agora, o publico dessa
terra, grandiosa pela elevação dos seus filhos, em todos os ramos de atividade
humana, grandiosa por seus feitos heroicos que se acham inscritos nas paginas
sublimes do livro da historia pátria, em letras de ouro encravadas de diamante,
precisa de conhecer, repito, a alma negra, como as escadarias do inferno, que
se oculta naquele corpo que a natureza marcou com indeléveis manchas
esbranquiçadas, como para por de sobreaviso, os indivíduos que dele se
aproximem.
Vê, portanto, o senhor Correia que são
inteiramente inúteis suas ameaças, que não deverá jamais reproduzir o ato
brutal de procurar desrespeitar a lar de um ministro de Cristo, o Padre
Climério Chaves, a cristalização sublime da virtude, o cumpridor de seus deveres
de sacerdote. Pretenderá reproduzir com o padre Climério os meios de que lançou
mão para conseguir a saída de Soure do não menos virtuoso padre Rocha, descendo
a calunia e a protérvia?
Não vingarão, estou certo, todas as intrigas
que possa empregar para empanar o brilho do correto proceder do pároco de
Soure, nem também poderá obter do Revmº. Bispo Diocesano sua retirada dessa
localidade.
Termino este artigo enviando destas plagas
longínquas, um conselho e uma lembrança ao Sr. Correia.
Viva sossegado em seu poderia e lembre-se
como terminou Neutel e outros de sua laia, porque poderá terminar do mesmo
modo.
Bahia, 6 de maio de 1904.
Manoel Moreira da Rocha.










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