Jornal do Ceará, 19 de junho de 1904

 

Limoeiro em 1904 dois intendentes

Pelo telegrama que nos enviaram de Limoeiro, publicado antes de ontem, vê-se que vão em paz os negócios políticos dali em constante luta a mais de três anos.

Duas câmaras disputam o bolo prometido a Luiz Brasiliense e dado a José Nunes.

Aqui veio um emissário deste, um seu irmão e seu vereador perpétuo que voltou satisfeito depois de obter dos Srs. Accioly a intendência, câmara, etc. e o alijamento futuro do Brasiliense.

Brasiliense também veio logo depois e obteve boas promessas e instruções com as quais seria viável a derrota absoluta dos Nunes.

Chegaram ambos a Limoeiro cheios de esperanças, empossaram duas câmaras, fizeram dois intendentes e querem cobrar dois impostos.

Ambos os intendentes telegrafaram aos Srs. Accioly, ambos estão em exercício.

Limoeiro 10 – Empossada a câmara foram eleitos presidente Joaquim Nunes, vice-presidente João Maria, João Maria de Freitas, intendente.

                                                     (“República” de 13)

O vice-presidente acumulando o lugar e Intendente.

Limoeiro 10 – câmara eleita empossou como presidente padre Graça, intendente Brasiliense.

                                                            (“República” de 11)

Em que fica?

O povo não esta disposto a pagar dois desaforos e assim com indignação a essa comédia da firma Nunes, Brasiliense & Accioly.

Espera-se a cada momento que ambos venham receber instruções.

Em todo caso, lembramos que procurem ajeitá-los, o que será fácil.

Em resumo: 

No Limoeiro a câmara eleita tomou posse a 10 do mês, elegendo para presidente o Padre Graça e para Intendente Brasiliense.

E por telegrama também do dia 10, diz que foram eleitos presidente Joaquim Nunes e Intendente João Maria, que ato continuo se empossaram dos respectivos cargos.

Ambos estão reconhecidas pelo órgão oficial e ambos querem chamar a si a cobrança dos impostos. Resta saber, porém, a quem o povo deve agora reconhecer – se ao Sr. Nunes ou ao Sr. Brasiliense. É costume, no povo do Sr. Accioly, fazer-se conta de chegar e provavelmente no Limoeiro se há de fazer também.

Já corre com insistência a que casa da câmara receberá no seu alto o seguinte letreiro – Accioly, Nunes, Brasiliense e Comp., que será a firma representativa – oligarquia dali e a única apta para fazer os dividendos dos dinheiros arrecadados. Eu nada sei, tudo é o que se diz.

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        Diz ele em sua edição de 11, que no Limoeiro a câmara eleita tomou posse a 10 deste mês, alegando, para Presidente padre Graça e, para Intendente Brasiliense.

       A 13 e por telegrama também de 10, diz que foram eleitos presidente – Joaquim Nunes e intendente – João Maria, que ato continuo se empossam dos respectivos cargos.

      Ambos estão reconhecidas pelo órgão oficial e ambas querem chamar a si a cobrança dos impostos. Resta saber, porém, a quem deve agora o povo reconhecer – se ao Sr. Nunes, se ao Sr. Brasiliense. É costume no povo do Sr. Accioly, fazer-se conta de chegar e provavelmente no Limoeiro se há de fazer também.

       Já corre com insistência aquela casa da câmara receberá no seu alto o seguinte letreiro – Accioly, Nunes e Brasiliense e Comp., que será a firma representativa-oligárquica dali e a única apta para fazer os dividendos dos dinheiros arrecadados. Eu nada sei, tudo é o que se diz.

       Se as histórias como as de seu Frederico, o homem das cartas, está tudo perdido porque nada dele é sério.


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