Jornal do Ceará, 10 de junho de 1905

 

Escreve-nos do Limoeiro:

No dia 31 de maio de 1905 essas arbitrariedades tinha o voto divergente do distinto membro da comissão Jeronymo da Silva Oliveira que alegava os seus fundamentos.

 Havia na comissão com a maioria também, o grupo Nunes, representado pelo Sr. José Nunes Guerreiro e José Maria, que apresentaram maior número de amigos no alistamento do que Brasiliense e o padre Graça não obstante o grande esforço que empregaram estes durante o período de 28 a 31 só se alistaram aqueles oposicionistas, que tendo transações comerciais com o Sr. Arsênio ou Souza Netto contavam com o voto de um ou de outro havendo empate, porém o Sr. Benvenuto Pompeu que ainda conserva o seu dever de Juiz votava pela inclusão.

O padre Graça tem tomado parte ativa e exagerada na politica, porém, diz ele que somente para derribar a oligarquia Nunes com quem vive a sangue e fogo.

Foi nosso fiscal o José Osterne, que protestava sempre contra as irregularidades e de tudo tomou notas para os recursos perante a comissão nessa capital onde esperamos encontrar justiça.

Ficaram muitos dos amigos sem se alistar devido aos embaraços que se lhes antepunham.

O padre Graça Martins mui de propósito passava de 3 a 4 dias sem despachar as certidões de idade, isto com o fim de preterir os alistados alguns da oposição e creio que alguns também do grupo do Sr. José Nunes.

A maioria da comissão deliberava às vezes só aceitar atestados do delegado recusando os da autoridade judiciária que a lei colocou em primeiro lugar, porém só procedia desta forma com relação aos oposicionistas; aceitando da mesma autoridade para alistar os governistas.

Não há maior disparate e maior absurdo do que o cometido pela maioria da comissão em certas medidas que adotou atentatórias da lei, abusivas e revoltantes.

Algumas passagens não devemos relatar, não só por se tornar enfadonha esta correspondência, se não porque, pouco fundamento trará aos nossos recursos e mesmo, de todos conhecidas são as armas de que lançam mão os governistas que com a mentira e o embuste pretendem creditar-se perante o supremo chefe. Este recomendou ao Brasiliense, que não consentisse a oposição fazer maioria. O mesmo Brasiliense aqui declarou sem reservas, por isso é que foi desenfreada a cabala, houve empenhos, seduções, promessas fofas, mil artimanhas de alguns cujos nomes poderíamos calar para não recomendar ao Sr. Accioly. Tão procedente é essa recomendação aos amigos do Sr. comendador que o Sr. Luiz Brasiliense se dizendo meio enfraquecido perante o seu chefe, pediu mais de uma vez a amigos da oposição para atacarem pelos jornais, explicando que para a politica Acciolyna era preciso assim fazer para merecer alguma coisa.

As palavras do Accioly a respeito das acusações públicas contra José Nunes causavam aos Brasilienses muito ciúme e por isso é que apelava este para uma descomponenda, a sua pessoa no jornal da oposição!!!

Não era possível satisfazer ao Brasiliense nesse pedido porque desta forma seriamos quase tão extravagantes e jogadores como ele – falar de um a quem queríamos. Hoje, porém que não o queremos, atendemo-lo ; sirva-lhe de recomendação esta carta e dela tive bom proveito, tendo porém cuidado com as que fizer a seu respeito o José Nunes.

Eis em síntese o que se passou e o que há sobre o alistamento eleitoral.

Nós que temos tanta necessidade de uma reforma radical neste organismo administrativo – legislativo contra o qual protelam a honra e o credito do nosso país, esforçamo-nos por dentro da órbita traçada pela lei e com o maior respeito as suas determinantes disposições procurar amparo ao nosso direito de representação.

A meritíssima Junta de recursos composta em sua maioria de magistrados sérios e dignos dos lugares que ocupam, chegaremos com os nossos recursos, certo de que, perante ela reconhecido será o nosso direito, esperamos e a lei eleitoral vigente – uma verdade.

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