jornal A Cidade, 23 de fevereiro de 1901
Limoeiro
O jornal “A Cidade” – Sobral – em 23 de
fevereiro de 1901.
Sr Redator – Levo ao seu conhecimento um fato
doloroso que profundamente feriu a alma da sociedade limoeirense:
Maria de Santiago da Silva de há muito
alimentava ódio implacável contra seu cunhado e compadre Patrício José da Silva
e sua família. Esse ódio crescente sempre explodiu de uma maneira assombrosa,
no dia 30 de dezembro do ano passado, em que Santiago armada de um cano de
espingarda e de facão, encontrando-se com a mulher de Patrício, sua irmã,
investiu a ela. Patrício que estava a pequena distancia em casa de um parente,
correu em auxilio da mulher, travando-se então uma luta horrorosa, a que
compareceram 5 filhos de Santiago, também armados de facões e de uma inchada.
A esse tempo João Pedro e Manoel Patrício
ouvem a miséria e partem da casa de Patrício, apenas Manoel Patrício armado de
um facão. Mas, ao chegarem ao local da luta já encontraram o pai falecendo e a
mãe horrivelmente utilimada. Mal chegaram e o bando os recebe a golpes de
facão, qual mais preste, qual mais horrível. Eram sete e todos a dar e a contar
por sua vez!
Duas moças filhas de Patrício correm também
como loucas para o sinistro local e coitados! Precipitaram-se sobre o cadáver
do pai – ao mesmo tempo nessa posição são horrivelmente golpeadas! Tudo era
canibalismo e ferocidade! E continuou a sanha! Não valiam nem os lamentos nem
os pedidos em nome de Deus. A esse tempo aparece um outro filho de Patrício,
rapazinho e corre como doido para chamar um tio de quem se receavam as
desalmadas. Então, elas talvez fartas de sangue, correram para casa de morada
que ficava a pouca distancia. Assim terminou a terrível hecatombe. Morreu
Patrício, porém já cadáver deram-lhe uma facada na garganta e outra na boca. Os
demais saíram horrorosamente utilimados; mortalmente feridos.
Das filhas de Santiago apenas uma era casada.
Acompanhavam-na mais dois filhos menores.
As autoridades foram incansáveis na perseguição
dos criminosos, cabendo ao delegado de policia, cidadão Manoel Lourenço da
Silva a honra de prendê-los no lugar Ilha.
Essa prisão ele efetuou pessoalmente, tendo
andado a pé mais de duas léguas.
Acham-se recolhidos a cadeia convenientemente
vigiada, tendo para isso poder concorrido o Intendente Municipal cidadão Luiz
Brasiliense de Hollanda Cavalcante. A essas autoridades a sociedade limoeirense
agradece o bom desempenho dessa captura e bem merecem um voto de louvor.
O processo segue os seus tramites e
brevemente o júri se pronunciará.
Adeus. Levarei a seu conhecimento fatos mais
notáveis que por aqui se derem.










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