Jornal Cearense, 5 de maio de 1876
Carnes Verdes
Ultimamente,
porém um boiadeiro do Limoeiro, o Sr. Francisco Casimiro Varella, homem resoluto
e decidido, chegou à feira do Arouches com um magote de gado e não vendeu
porque o maior preço que achou foi 25&000 reis.
Nestas
circunstâncias o Sr. Varella veio para a Capital abater o gado, novilhos no retalho. Os monopolistas
desapontados ofereceram-lhe maior preço, mas, o Sr. Varella recusou e continuou
a matar o seu gado, fazendo logo descer o preço da carne verde de 360 e 400
reis a 240 e 200 reis o quilo.
É inútil
dizer que o povo correu em chusma aos açougues do Sr. Varella, que sem demora
dispôs de todo o seu gado e não perdeu dinheiro, conforme nos asseguram, ao
passo que se o entregasse pelo irrisório preço que a sociedade lhe oferecera,
perderia mais de 300$000 reis.
E querendo
dar uma boa lição aos monopolistas foi no sábado seguinte à feira e comprou
gado para vender carne barata ao povo da capital, o que efetivamente aconteceu
com grande aplauso e proveito do público e desespero dos atravessadores
desconcertados, os quais quase arrebentaram de raiva.
Assim,
graças ao Sr. Varella, tivemos carne barata durante duas semanas e os
boiadeiros mais desafogados venderam seu gado por preço razoável.
Infelizmente,
porém o Sr. Varella adoeceu e retirou-se há poucos dias; mas, consta-nos que
brevemente voltará para continuar sua obra meritória.
É realmente
uma vergonha para a câmara, o fato que vimos expor.
O que ela
com todo seu poder e dinheiro não pode conseguir – fê-lo, sem grande trabalho,
um boiadeiro do sertão, com poucos recursos e lutando contra todos os
obstáculos suscitados pelos especuladores.
Ninguém conseguia derrubar o monopólio dos
marchantes do comercio de carne verde, nem a câmara municipal da capital,
através de seu presidente o Sr. José Albano que estava desmoralizado e
desacreditado. Nada pode fazer salvo o Sr. Francisco Casimiro Varella do
Limoeiro.










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