DO COMITÊ PRÓ-DEFESA DO LIMOEIRO DO NORTE
O comitê pró-defesa do Limoeiro do Norte fez
distribuir os seguintes boletins, cuja divulgação nos é solicitada:
Limoeirenses!
Deveria, hoje, completar 60 anos de
existência o nosso querido Município: Limoeiro
do Norte. É de 1861 a data de sesmaria da terra que, 1708, foi demarcada
pelo Desembargador Cristovam Soares Reimão, denominada “Limoeiro”. Simples
fazenda em 1778, sede de Distrito em 1852, sede importante freguesia em 1863,
vila em 1871, cidade 1897, sede do Bispado em 1940, instalação da Comarca em
1946.
Desde a elevação da vila a cidade, em 1897, o
ideal de progresso e de grandeza uniu os limoeirenses, convertendo a pequena
cidade jaguaribana numa colmeia de afanoso labor, no empreendimento de obras
que hão de imortalizá-los! É a sede do 3º bispado sufragâneo do Ceará e conta
com Seminário, Colégios, Maternidade, Hospital e outras obras notáveis... Não
quiseram, porém, que a cidade completasse 60 anos de existência! O município do
Limoeiro do Norte já não existe mais... golpearam-no de morte! Reduziram-no a uma pequena nesga de terra, sem
açudes, sem fazendas e sem quase nada: menor que o Distrito do Olho d’Água!
Felizmente, deixaram-lhe o cemitério, para que, ao lado dos pioneiros que ali
repousam o sono da morte, sejam enterrados, com o aniquilamento deste
município, os sonhos de progresso dos que já se foram e os anseios e as
esperanças dos que aqui fecundam a terra, com o seu suor e as suas fadigas.
HISTÓRIA DESOLADORA
Há 11 anos, o Município de Limoeiro do Norte
elegeu 2 representantes a Assembleia Estadual: os deputados Franklin Gondim
Chaves e Manuel Castro Filho. Proporcionou-lhes, com as elevadas funções que
lhes conferiu, destacada posição social e politica.
Pois bem, em paga de tudo, acabam eles de
destruir o município que os elegeu, reduzindo a sede a uma tapera, a trapo de
terra, menor que o Distrito do Castanhão!
Antes, Limoeiro em peso se levantara! Batera
a todas as portas... Todos achavam um crime inqualificável a degola da sede do
Bispado jaguaribano, mas, repetiam sempre: “TUDO DEPENDE DOS DOIS DEPUTADOS”...
Limoeiro, como se fora um cego a pedir esmolas, punha-se atrás dos dois
arrogantes deputados que elegera... Esta tortura dos seus homens mais
respeitáveis e conspícuos durou um ano! Tudo inútil! Os dois irreconciliáveis
adversários políticos tinham se aliado! Riscaram do mapa o Município de
Limoeiro do Norte! Limoeirenses! Os dois deputados que elegemos não precisam
mais da terra que destroçaram pelo aniquilamento! Não precisam mais dos amigos
fieis e dedicados, a quem friamente esmagaram pelo desprezo e pela humilhação!
Limoeiro do Norte irá ao poder Judiciário!
O INVENTARIO
Quando Limoeiro do Norte abriu os olhos, o
inventário estava feito! Os 2 deputados eleitos por nós Sr. Manuel Castro e
Franklin Chaves, tinham dividido o território municipal com 4 herdeiros. Deram
pagamento ao Alto Santo, 40 por cento, incluindo Castanhão, contra a vontade de
seus habitantes. Deram para pagamento ao São João, 20 por cento, incluindo a
Barra do Figueiredo. Deram ao Tabuleiro do Norte para seu pagamento, 30 por
cento, incluindo Bica.
Deixaram para a sede 10 por cento de todo o
seu Território... A cidade ficou estarrecida com o escandaloso esbulho, tudo
feito a revelia da sede e das suas classes representativas. No caso de
inventário, a Sede, que seria a inventariante, teria direito a 50 por cento, na
qualidade de meeira e os outro 3 herdeiros, os outros 50 por cento. Mas,
deixaram para a Sede apenas 10 por cento. Será possível que exista um só
limoeirense que se conforme com um inventário desta espécie?










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