Gazeta do Norte, 6 de março de 1881

                                                    BOLETIM POLÍTICO

O procedimento da intitulada câmara municipal, na apuração das atas dos colégios eleitorais para a lista nônuplo sobre a qual terá ou não de fazer-se a escolha de 3 senadores por essa província, foi o que se devia prever e esperar de uma corporação engendrada pela fraude, encampada pela prepotência judiciaria.

Apurando ou se registrando sem discernimento, sem exame, sem discussão, as autenticas que foram presentes, é evidente, que de antemão se consertava o plano a seguir naquela importante apuração.

Não admira que houvesses apurado todas as duplicatas ligeiras, repelindo eleições regulares e legitimas. Tornou-se, porém, notável o desprezo com que foram tratados os Conservadores do Limoeiro que não quiseram figurar na empreitada do Sr. Custódio, escalando a Matriz para fabricar a duplicata criminosa, cujo resultado foi homologado na sessão de 28 do passado.

A eleição verdadeira, legitima, procedida com todo o eleitorado e o 1º juiz de paz a que compareçam cerca de 400 votantes, dos 2 partidos políticos, sob a direção dos chefes os Srs. Malveira (liberal) e Serafim Chaves (conservador); eleição que sem dúvida é uma das mais regulares pelo exato comprimento da lei, feita com todas as formalidades e apoiada em uma bem deduzida e procedente justificação contra a ridícula farsa dos fósforos do Sr. Custódio Guimarães, essa eleição dizemos, foi in limine rejeitada pela intrusa câmara e apurada a duplicata dos 11 eleitores inelegíveis como consta da referida  justificação.

Agora permitam-nos os chefes conservadores-ligeiros que lhes perguntamos:

Por que abandonaram com tanta ingratidão o seu correligionário leal e dedicado do Limoeiro?

Por que, nem ao menos mandaram proferir uma palavra em favor do amigo ausente?

Estas perguntas hão de ficar sem respostas.

Mas, console-se Sr. Serafim; aquela apuração não foi coisa séria; ainda tem de passar por filtro mais fino.

Nela estão incluídas muitas outras fraudes, falsificações, mentiras, abusos e embustes forjados nas trevas ou mediante o emprego da força bruta, da intimidação e também alguns papéis escritos com o sangue de cearenses que salpicou a farda do presidente mais desastrado que se tem pisado nesta terra. Felizmente vai este tartufo favorecer-nos com sua ausência, mais cedo do que ele mesmo esperava; deixa, porém, gravadas nas páginas da nossa desditosa província uma historieta tragicômica que há de ser indelével.

Ele já começou a ser punido com demissão inopinada e mais ainda há de sê-lo com o remorso eterno de ter-se prestado a servir,  de instrumento as ruins paixões de seus turiferários; desses que não tardaram a voltar-lhe as costas para adorarem o novo sol nascente quando assomar no horizonte.

Uma palavra aos nossos amigos do Limoeiro. Não desanimem.

A sorte que lhes coube é compartilhada por muitos.

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