Gazeta do Norte, 30 de março de 1884

                          AO NOTICIADOR DO LIMOEIRO

                           (Não quer por a calva ao sol).

Na Gazeta do Norte de 30 de março do corrente ano, deparei com uma declaração pela não recondução do Sr. Alferes Cândido Malveira  no lugar de 1º suplente do juiz municipal do termo do Limoeiro.

O comunicante noticiador escreveu extensamente elogiando ao Sr. Malveira e concluiu pondo em dúvida as qualidades dos nomeados, não esquecendo ferir ao nosso amigo Coronel Custódio.

Com todo arrojo e com a sem cerimonia do seu costume disse:

“Não foi a exclusão do Sr. Malveira o que mais admirou, a sua substituição pelo Sr. Lulú, foi o que esbabaçou a todos, logo direi o por que”.

O que fez esbabaçar foi o arrojo e ousada petulância do cobarde noticiador, desesperado, como quando não pode lucrar um certo tipo numa eleição geral, mas, atirar-se contra o nosso muito digno e distinto amigo Luiz José da Silva, que se é pobre porque não é negociante, criador e agricultor, caráter puro e independente, capaz de exercer o cargo com mais critério e bom desempenho do que muitos que se acham ricos.

Por mais exagerado que fosse os elogios dados ao Sr. Alferes Malveira pelo celebre noticiador, que conhecemos, não imitaremos.

Se o Sr. Malveira foi juiz municipal o Sr. Luiz José da Silva, morador no mesmo sítio Saquinho, Freguesia do Limoeiro, foi juiz de paz, lugar que ocupou tão dignamente como outro tanto não poderá dizer o noticiador de se.

Por ocasião da eleição geral o noticiador ainda uma vez conheceu o caráter do nosso amigo, não obstante ser seu parente.

Soube o noticiador que o Sr. Alferes Malveira não podia continuar a ser juiz, tendo filhos – coletor, delegado, suplente, genros, sobrinhos e parentes de sua mulher, secretário da câmara, delegado, suplentes e escrivão da coletoria e assim incompatibilizado para exercer o cargo.

E por que tal zanga? Será por que supõe o Limoeiro sua feitoria?

Engana-se; os lugares de confiança são dados a homens que melhor possam distribuir justiça sem tropeço, sem embaraço.

Não diremos mal do Sr. Malveira para não fazer o papel de noticiador, porém, somos forçados a dizer que a zanga toda vem de enxergarem no digno suplente nomeado um juiz justo e independente.

E ainda como liberal não acompanha ao nulo grupo da dissidência, que só enxerga a vingança particular e não a conveniência pública.

Nos dois últimos períodos ocupou-se o noticiador do nosso amigo coronel Custódio.

Ele respondera: mentistes como muitas vezes tem feito.

Não o entibiou a retirada o ilustre chefe do partido liberal,  como tão bem ainda não mandou tirar sua patente, que fará sem incomodar ao rico sujo noticiador. Aguarde destes amigos melhor resposta.

Eles te esperam um dia.

                                                                  12 de abril – 1884.

                                                                                  Um amigo
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         Luiz José da Silva foi casado com Theresa de Noronha Silva, moravam no sítio Saquinho, freguesia do Limoeiro,  faleceu de congestão cerebral com 54 anos de idade no dia 24 de agosto do ano de 1892, às nove horas da manhã.

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