Gazeta do Norte, 25 de fevereiro de 1881
Poucas e boas
Em um escrito publicado no
Cearense de 22 do passado, em que o Sr. Custódio Ribeiro só não falou
das freiras (porque sua própria reputação foi à primeira vitima) joga-se com o
meu pequenino nome, sob o pretexto de haver eu, na qualidade de 1º suplente do
delegado, tomado parte no pleito eleitoral desta freguesia; história já
completamente cediça e no que nem leve se conversaria, se o Sr. C. Ribeiro,
sacrificando seus interesses, onde morava não se tivesse lembrado, em má hora,
de retirar-se para esta casa, que tanto odeia e que não solicitou por certo sua
proteção.
O que é certo, porém e deve saber
o Sr. C. Ribeiro; embora negue para seus fins, é que apenas estive no
exercício de delegado no dia 2 de dezembro, quando teve lugar a formação da
mesa, na qual não tomei a mínima parte, nem podia por não ser qualificado nesta
paróquia.
Nesse mesmo dia fez o Sr. C.
Ribeiro sua celebre mesa eleitoral, escalando a igreja, & &.
Constou-me com toda probabilidade
que com S. S. haviam capangas armados, que dirigiam insultos e ameaças; mas,
tudo deixei passar como exaltação de ânimos políticos, sem que procurasse a
mais ligeira indagação policial, afim de que se não dissesse que a autoridade
influía de alguma forma na eleição.
Com quanto essa precaução me
livrasse da seta virulenta do Sr. C. Ribeiro; todavia quero sempre dizer
como Susana: - antes quero cair inocente nas mãos dos meus inimigos, que
tornar-se culpado perante Deus.
No dia 5, não me achava mais em
exercício por ter reassumido o delegado e então apenas apareci aqui por mera
curiosidade para ver o grande numero de votantes de Russas, Aracaty & que
S. S. reuniu.
Parece que o que menos me
recomenda para o Sr. C. Ribeiro é ser primo da mulher do Sr. Cândido Malveira;
em compensação tem sua senhoria tem S. S. o seu prestimoso genro Cel.
Brasiliense d’Oliveira Cavalcante, embora tão conhecido na politica universal,
como na oficialidade da Guarda Nacional.
Tudo pode acontecer nessa vida
fatídica, principalmente havendo dinheiro; nada mais é preciso para ofuscar as
vistas dos avarentos.
Em
conclusão, convido o Sr. C. Ribeiro para fazermos um negócio e podemos
desde já lavrar o contrato, isto é; esqueça-se para sempre de mim, que lhe
retribuirei com outro tanto e volto-lhe mais o meu desprezo.
É
vantajoso.
Limoeiro,
11 de fevereiro de 1881.
Joaquim
Nunes Guerreiro.










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