17 de outubro de 1910
Em 17 de outubro de 1910, segunda-feira – Soure - Escreve-nos:
Um anônimo tem feito inserir, estes dias, n’A
Republica e a guisa de mofina, uma
reclamação contra o reverendo padre
Climério Chaves, vigário desta vila.
Não se sabe quem seja o reclamante, mas, o
certo é que ele faz exceção ao conceito em que todos, aqui, tem o padre um
sacerdote modelo, cujas virtudes e bondades de coração o põe acima das intrigas
mesquinhas de um despeitado maldizente.
Na aludida publicação acusa-se o vigário de
Soure de viver arredado da sua freguesia – uma injustiça de clamar céus!
Não são raras as viagens de S. Revmª. para os
lugarejos de sua freguesia; mas nisso, que parece ao publicista da tribuna do povo uma falta, não é senão uma provo do
zelo com que costuma proceder o padre Climério Chaves, no desempenho de sua
missão.
De Soure, é que S. Revmª. muitíssimo poucas
vezes se ausenta, isso mesmo ligeiramente, sendo rara a ocasião, em que, indo a
capital, não pernoite na sua freguesia, a despeito de todos os incômodos e
prejuízos que semelhantes viagens cause a sua saúde.
Ainda no dia em que nessa capital, o detrator
de S. Revmª. fazia alarde da sua desídia pelo jornal, o padre chegava a Soure
as 9 horas da noite, o que pode ser testemunhado pelo Sr. José Mathias, seu
companheiro de viagem da capital a esta vila.
Articula o anônimo reclamante que faleceu uma pessoa, sem confissão, porque o
vigário não acudiu ao seu recado.
Ora, a grande causa! Seria preciso que o
padre possuísse o dom da ubiquidade para estar ao mesmo tempo ao pé de todos os
leitos onde simultaneamente, agonizassem paroquianos seus, dentro de uma
freguesia que abrange 14 léguas! Tão cerebrina pretensão só existirá na
imaginação do reclamante, por ventura
abocada pela ideia de fazer mal.
Em suma, o aranzel é dirigido ao Exmº Sr. D.
Joaquim.
Mas o Sr. bispo não precisa, sequer, de uma
sindicância do caso que lhe é comunicado. Que muito é que morra sem confissão
um individuo, porque o padre não pode chegar a tempo de ouvi-lo, se o chamarem
em uma ocasião em que se não podia distrair, ocupado, talvez, em idêntico
mister! Além disso, quem sabe se será real o fato acusado ou se é pérfido
invento de algum homem sem consciência?
O padre Climério recomenda-se por muitos
títulos, entre os quais avultam as suas peregrinas virtudes de sacerdote e a
sua incomparável bondade de cavalheiro.
Soure deve-lhe muito, deve-lhe demais, quanto
ao zelo religioso; povo esse o venera. Só um espirito muito mesquinho procura
enxovalhar o seu nome.










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